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DONS ESPIRITUAIS PDF Imprimir e-mail

2ª Tm. 2:15
“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.”
A palavra de Deus não é um livro como muitos pensam ser, o qual abrimos à sorte e dali se tira uma doutrina. A palavra de Deus foi revelada progressivamente durante mais de 1.500 anos, por isso ao a lermos, antes de retirar alguma conclusão, temos de analisar se esse texto está de acordo com a revelação para os dias de hoje, ou se já aconteceu no passado, ou ainda se diz respeito ao futuro por vir e não ao presente.

Manejar bem a palavra. No original grego; Fazer um corte direito, dividir.
O sentido no original está ligado à arte de carpinteiro, de como ele riscava e depois cortava a madeira. Por isso em certas versões a palavra manejar é dividir.
Ao estudarmos a palavra de Deus nós precisamos saber compreende-la, dividindo-a correctamente.
Se não o soubermos fazer vamos entrar em contradição com o que ela diz.
Os jornalistas são ensinados a fazer 6 perguntas: “Quem”, “Quê”, “Quando”, “Onde”, “Porque”, “Como”.
Estas 6 perguntas são fundamentais para que a matéria da sua reportagem reflicta com exactidão e clareza os factos apresentados.

Este princípio é muito importante também para quem procura aprender e ensinar a palavra de Deus.
Precisamos analisar todo o texto e o contexto, nunca separando partes do todo e comparar as Escrituras com as Escrituras.
Ou seja, ter em conta todo o ensino acerca do assunto que queremos estudar, assim como a palavra de Deus no seu todo, especialmente a que nos diz respeito a nós, a Igreja.
Quando lemos a palavra, teremos de analisar quando foi escrito, para quem foi escrito, ao que se refere… etc.
Só assim evitaremos cair em erro ou induzir outros a errar.
Um grande obstáculo que enfrentamos ao manejar bem a Palavra da Verdade é nosso próprio idioma!
Como não somos especialistas em linguística, por vezes se não tivermos muita atenção podemos fazer uma má interpretação, ou porque a tradução não é a mais correcta ou porque o conhecimento da nossa própria língua não é o melhor.
Existem palavras ou contextos da nossa "língua materna" especialmente fáceis de serem mal interpretadas.
Duas pessoas frequentemente lêem as mesmas palavras e terminam com visões diametralmente opostas daquilo que está escrito.
Por exemplo, existe uma cantiga infantil que serve bem para ilustrar como um texto pode ser mal entendido: "Maria teve um carneirinho..."
No mínimo, existem quatro modos totalmente diferentes em que essa frase pode ser interpretada, embora algumas sejam ridículas. (1) Em algum tempo no passado Maria possuía um carneirinho — o filhote de uma ovelha, ou (2) Ela deu à luz a um carneirinho, ou (3) A frase é uma hipérbole, (exagero) indicando a natureza preciosa de um "carneiro" de seu bebé, ou (4) Ela comeu carneiro ao jantar. Devem ainda existir mais interpretações! (amuou, p.ex.) Você entende o que quero dizer?
Entretanto, a próxima linha da cantiga diz, "... Sua lã era branca como a neve..."
Com mais esta frase algumas das hipóteses referidas ficam de parte.
Ah! Mas o contexto estreita as possibilidades consideravelmente com a adição da próxima linha,
 "... e para toda a parte que Maria ia, o carneiro a seguia.",
O senso comum deve limitar a interpretação à primeira possibilidade. (um filhote de carneiro) Mas, e se várias pessoas inflexivelmente insistirem que Maria "comeu carneiro no jantar, ou que deu à luz um carneiro…”?
Sim, pode acontecer, mas seria forçar os limites da ilustração, mas como dizia Paulo: se alguém quer ignorar que ignore. I Cor. 14:38

Introdução ao tema:

O protestantismo está dividido entre si em várias denominações, que por sua vez se agrupam em 3 correntes teológicas de pensamento.

Temos os de linha mais Tradicional e Conservadora que vêem as Escrituras de uma maneira mais figurativa e menos literal, que nos dão noções e princípios para nos guiarmos conforme a vontade de Deus.

Outros são de linha Pentecostal, em que o predomínio da mensagem é dar principal importância aos dons de cura e sinais, como acontecia nos dias dos apóstolos e da Igreja primitiva.

Outro grupo é de linha Dispensacional, que advoga uma compreensão da Palavra de Deus, embora com uma única mensagem, porém diferente para cada dispensação (época), entre as suas 7 diferentes dispensações.

Destas 3 diferentes visões ou interpretações da Palavra de Deus, é que surgiram as denominações, que por sua vez se foram dividindo em sub-denominações, por causa de interpretações ou espaço pessoais.

Um dos assuntos causadores das denominações, é a doutrina acerca dos dons espirituais, de curas, sinais e outros.

O estudo que vamos fazer será de acordo com a linha que achamos estar mais  de acordo com o ensino bíblico para os nossos dias, o qual seguimos na nossa igreja local em outros assuntos também, baseado numa interpretação dispensacional das Escrituras.

Para que se evitem mal-entendidos, deveremos dividir os dons em categorias.

Enquanto para uns os dons estão todos em vigor, para outros, parte deles já não estão.
Por vezes cria-se grande confusão à volta deste assunto, por não se distinguirem ou diferenciarem os dons.
Acusa-se os que defendem que alguns dos dons já não estão em vigor, de não crerem no poder de Deus, quando não é esse o motivo.

Isto faz-me lembrar o que os católicos dizem sobre os evangélicos quando se discute sobre a virgem Maria. Eles dizem que nós não acreditamos em Maria, quando na verdade não é disso que se trata, apenas a colocamos no lugar que a Palavra de Deus a coloca.

Assim acontece na questão dos dons, não está em causa o poder de Deus, mas a colocação dos dons no seu devido tempo e lugar, isto segundo os que assim crêem.

Por vezes nós resumimos os dons a pregar e evangelizar, mas existe muita diversidade de dons.
O Espírito Santo distribuiu dons a todos os crentes, para que nós os usemos.

É verdade que o NT fala sobre certos dons considerados “ministeriais”, mas podemos juntar a esses outros mais.

P.ex. quando alguém desanima e fica desiludido por algum motivo, existem pessoas dotadas para animar os que estão desanimados. Essas pessoas se entendem ter esse dom devem usá-lo e não ficar à espera que sejam os líderes a fazê-lo, que talvez até nem tenham esse dom.

Outros acham que só eles passam por problemas ou que erram e sentem-se inferiores aos outros. Todos passam problemas e erram só que às vezes conseguem disfarçar melhor ou resolver melhor. Convém que sejamos sinceros e digamos que também temos lutas para que os mais fracos não sintam que só eles é que tem dificuldades na vida.

Em todo lado há desentendimentos, isso é normal entre humanos. Há aqueles que tem dom de apaziguar. Essas pessoas são importantes na igreja, mas não devem enterrar esse seu dom, mas usá-lo fazendo a paz quando existe algum conflito…
Paulo ressaltou a importância deste assunto, dizendo que acerca dos “dons espirituais não queria que os irmãos fossem ignorantes” (I Coríntios 12:1).

PARA QUE SERVEM OS DONS?
Os dons espirituais são importantíssimos. Nenhum cristão pode cumprir o propósito de Deus quanto à sua vida sem dons espirituais. Nenhuma igreja local pode funcionar como Deus quer, sem estes dons. São indispensáveis, tanto na vida particular do cristão quanto no testemunho colectivo da igreja, pois o trabalho do Senhor é um trabalho espiritual que só pode ser feito por meios espirituais.
Nenhum dom do Espírito é dado para benefício da pessoa que o recebe. Os dons são concedidos para alcançar um determinado objetivo.
Em Efésios 4:12 encontramos alguma coisa mais que nos ajuda a compreender isso. Lemos: “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do Seu serviço, para edificação do corpo de Cristo.”
Assim, a primeira razão pela qual são dados os dons espirituais é para edificação da igreja do Senhor.
Se alguém usa os dons para proveito próprio, esses dons não são genuinamente dados pelo Espirito Santo. (Mateus 7:22,23)

No cap. 12 de I Corintios dos vs. 12-31 fala-nos de que embora os dons sejam diferentes, os filhos de Deus tem todos a mesma importancia. Ninguém por ter um dom aparentemente mais vistoso poderá considerar-se mais importante que o seu irmão.
Usando a comparação do corpo humano, que possui membros grandes e pequenos, com múltiplas funções ou uma só função, o apóstolo afirma serem eles todos necessários. O corpo é o mesmo. E se cada membro cumprir seu papel, o corpo será sadio.
A confusão
Há muita confusão quanto à natureza dos dons. Alguns cristãos os ignoram quase que por completo. Acomodam-se, desfrutando dos dons dos outros, sem se preocuparem em descobrir e usar aquele dom que o Senhor lhes concedeu. Às vezes até chegam a dizer: “Eu não tenho dom”. Por outro lado muitos, talvez reagindo contra esta indiferença, dizem ser possuidores de dons e têm caído em exageros e erros que têm levado alguns outros a rejeitar estes dons, completamente.
Isso porém, não nos deve surpreender. Os dons são tão importantes à igreja que seria surpreendente se o inimigo não os atacasse. Mesmo se muitos cristãos não conhecem a importância dos dons, Satanás sabe quão importante eles são. Ele sabe perfeitamente bem que não conseguiremos absolutamente nada sem usar estes dons e, consequentemente, ele cria uma confusão em torno deles, procurando levar-nos a menosprezá-los.

O que são os dons espirituais?

Antes de definir “dom espiritual”, devemos observar que o NT fala de dons em dois sentidos distintos. No plano individual, lemos de dons dados aos cristãos, e no plano colectivo, lemos de dons dados à igreja.
Encontramos exemplos do primeiro uso da palavra dom — isto é, na esfera individual — em I Coríntios, onde lemos: “… a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência …” (I Co 12:8).
No mesmo capítulo encontramos exemplos do segundo uso da palavra dom — isto é, na esfera colectiva. Lemos que “a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores …” (I Co 12:28-30). Veja também Ef 4:8-11.
Quando a Bíblia fala de dons dados aos cristãos, fala daquela capacidade espiritual que Deus lhes concedeu para fazer o Seu trabalho; quando fala de dons dados à igreja, fala daquelas pessoas capacitadas pelo Espírito para fazer este trabalho.
Portanto, definimos um dom como:
•    A capacidade espiritual que Deus dá a cada um que é salvo, habilitando-o a fazer a vontade do Senhor.
•    A pessoa capacitada, dada pelo Senhor à igreja, para que ela possa realizar o propósito de Deus.
Devemos notar, porém, que o NT usa várias palavras, no seu texto original, quando fala dos dons. Isto não aparece na versão portuguesa, pois estas palavras são sempre traduzidas para o nosso idioma pela palavra “dom”. Vamos considerar apenas algumas delas.
Charisma
Este vocábulo é usado 17 vezes no NT, 5 das quais em I Coríntios cap. 12. Significa um dom de graça. Isto é, charisma dá ênfase ao carácter gratuito do dom. Não é um prémio; não é algo que recebemos porque merecemos; é um dom da graça de Deus.
Pense bem neste facto. Sendo que o dom é charisma, ele não é merecido. Um dom espiritual não é um prémio reservado para aqueles que o buscam com mais fervor e firmeza. Não é uma honra conferida àquele que merece, por ser ele mais espiritual. Estes dons são imerecidos, distribuídos pelo Espírito Santo, conforme a graça (favor imerecido) de Deus.
Doma
Esta palavra não é tão frequente; é usada somente 4 vezes no NT. Foi usada pelo Espírito Santo para dizer aos efésios que Cristo, subiu “ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons (doma) aos homens” (Ef 4:8). Não é sinónimo de charisma.
Doma dá ênfase ao carácter sólido e real do dom dado. Diz que os dons são reais. Não são coisas imaginárias ou simuladas. Realmente existem e são autênticos.
Dorea
Esta palavra destaca o facto que os dons são dádivas: são dados gratuitamente. No NT sempre se refere a um dom espiritual ou sobrenatural. Veja Jo 4:10. Ef 3:7 etc. É encontrada em Ef 4:7 na expressão: “… segundo a medida do dom de Cristo”. É de graça; não nos custa nada. A diferença entre esta palavra e charisma parece ser que charisma, além de indicar que o dom é de graça, ainda enfatiza que é imerecido. (dado sem mérito)
Merismos
Merismos indica uma distribuição, e é usada na expressão “… dons do Espírito Santo, distribuídos por Sua vontade” (Hb 2:4). Sugere aquilo que veremos com mais clareza depois — isto é, que todos os salvos tem, pelo menos, um dom.
Estas palavras nos dizem muito a respeito dos dons, mas para compreendermos a sua natureza precisamos considerar ainda outra palavra que o Espírito usou para descrevê-los. Refiro-me à palavra “espiritual”.
Espiritual
Escrevendo aos coríntios, Paulo disse: “Acerca dos espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (I Co 12:1). A palavra “dons” não está no texto original; foi acrescentada pelos tradutores para completar o sentido, e creio que todos concordarão que o contexto deixa bem claro que as coisas espirituais neste versículo são, de facto, os dons.
A palavra “espiritual” é usada 15 vezes na primeira carta aos Coríntios. É uma palavra chave, não só para entendermos a mensagem da carta, como também para entendermos a natureza dos dons. Veja alguns exemplos do seu uso em I Coríntios.
•    Lemos do homem espiritual em contraste com o homem natural (2:14-15).
•    Lemos de cristãos espirituais em contraste com cristãos carnais (3:1).
•    Lemos de coisas espirituais em contraste com coisas carnais (9:11).
•    Lemos do corpo espiritual em contraste com o corpo natural (15:44).
Isto mostra que “espiritual” é antónimo de “natural” e “carnal”. Quando Deus usa esta palavra para descrever os dons (I Co 12:1), Ele está dizendo que estes dons não são naturais, nem carnais; são espirituais.
Os dons não são naturais
Ao nascer, nós recebemos muitos dons do nosso Criador bondoso. A própria vida, bem como a inteligência, a voz, a visão e outras coisas semelhantes são dons de Deus, dados gratuitamente às Suas criaturas. Deus tem sido muito generoso na distribuição destes dons, mas não são dons espirituais — são naturais.
Quando, porém, um pecador nasce de novo, este torna-se filho de Deus e recebe dons espirituais. Estes não são naturais, pois o homem natural não os possui. Ninguém os recebeu quando nasceu segundo a carne. Ninguém os herdou de seus pais.
Sendo que Deus distingue entre o que é espiritual e o que é natural, precisamos fazer a mesma distinção. Caso contrário, havemos de cair em confusão. Os talentos naturais que temos não são dons espirituais.
Os dons não são carnais
Além dos dons naturais que recebemos quando nascemos, podemos adquirir mais conhecimento e mais capacidade através de estudo e esforço próprio. Da mesma forma que aprendemos a ler e escrever, podemos aprender a discursar e ensinar. O que aprendemos pelo nosso estudo ou esforço, porém, não é o que a Bíblia chama de “dom”. São talentos adquiridos, ganhos através de um esforço; os dons são charisma, isto é, da graça de Deus.

Conclusão
Diante destes fatos, não podemos ficar indiferentes. O trabalho de Deus é um trabalho espiritual, que só pode ser feito por meios espirituais.
Porém, não podemos confiar em sentimentos. O coração é enganoso, mais do que todas as coisas (Jr 17:9), e pode facilmente nos enganar. Por esta razão, é importante levar em consideração a opinião de irmãos experientes e espirituais. Se você é o único que pensa que possui determinado dom, pode ter certeza que não o possui.
Uma vez que você descobre o dom que tem, não o negligencie. O dom foi dado para ser usado, e um dia, Deus lhe pedirá contas.
A distribuição dos dons
Já mencionamos que os dons espirituais são dados àqueles que são salvos. Indicamos também que foram recebidos no mesmo instante em que recebemos a vida eterna. Talentos naturais foram dados no início da vida natural; os dons espirituais são dados no início da vida espiritual. Veremos algumas provas disto à medida que avançamos neste estudo.
Precisamos ressaltar que dons são dados a todos os que crêem!
Como é comum ouvir cristãos dizerem: “Eu gostaria de fazer algo para o Senhor, mas não tenho dom.” Talvez o irmão que fala assim esteja pensando no dom de ensinar ou de pregar, e talvez tenha razão em dizer que não possui tal dom, mas está redondamente enganado em pensar que não possui dom algum.
A Bíblia deixa bem claro que todos os verdadeiros cristãos tem algum dom espiritual. Cada cristão, além dos talentos naturais que herdou dos seus pais e das habilidades adquiridas pelo seu esforço e estudo, tem algo que nenhum incrédulo possui: ele tem pelo menos um dom espiritual.
No NT, encontramos três listas de dons (e mais algumas referências em outras partes). Em ordem cronológica são:
•    I Coríntios 12:8 a 10 e 28;
•    Romanos 12:6-8;
•    Efésios 4:11.
Estas três passagens, no seu contexto, nos revelam duas coisas importantes:
Quem dá os dons
A primeira coisa importante que vemos nestas passagens é que os dons são dados pelo Espírito Santo.
“Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo”. “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil”. “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (I Co 12:4, 7 e 11). Nesta primeira lista, portanto, aprendemos que o Doador dos dons é o Espírito Santo.
Quando lemos a lista de Romanos cap. 12, porém, descobrimos que os dons foram dados por Deus: “… conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12:3).
Em Efésios cap. 4 vemos que o doador é o Senhor Jesus Cristo. “Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo” (Ef 4:7). “Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens. … E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef 4:8 e 11).
Constatamos, portanto, que as três Pessoas divinas — o Espírito Santo, o Pai e o Senhor Jesus Cristo — se empenham em dar dons ao Seu povo. Este interesse da Trindade em distribuir dons nos mostra a sua grande importância.
A segunda coisa importante que vemos aqui é:
Quem recebe os dons
Todas as passagens acima citadas destacam o facto que cada membro do corpo de Cristo recebeu algum dom. A frase “a cada um” aparece no contexto imediato de cada lista. Em I Coríntios 12, já citamos os vs. 7 e 11, onde lemos que a manifestação do Espírito é dada a cada um, e ainda outra vez, que o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um. Mais adiante, no mesmo capítulo, lemos que Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis (I Co 12:18).
Em Romanos cap. 12, lemos que Deus repartiu a cada um (veja v. 3).
Em Efésios, lemos que a graça foi dada a cada um (veja Ef 4:7). Ainda no mesmo capítulo, falando do uso dos dons, Paulo diz que a igreja desenvolve segundo a justa operação de cada parte (veja Ef 4:16).
Deus repetiu tantas vezes, e de tantas formas, o facto de ter dado dons a cada um, que ninguém pode pensar que não possui dom. No Corpo de Cristo, a Igreja, não há nenhum membro sem função, e se ele tem uma função para cumprir ele tem o dom para realizar esta obra.
Quando Deus salva um pecador, Ele lhe dá riquezas incalculáveis. No momento em que recebemos a salvação a maioria, senão todos, não pensa nas demais bênçãos concedidas; mais tarde, descobrimos que naquela mesma hora recebemos o Espírito Santo (Jo 7:39 e Ef 1:13) para nos guiar e fortalecer na nossa jornada aqui. Recebemos também uma herança nos céus (I Pe 1:4). Além de tudo isto, recebemos dons espirituais, capacitando-nos a servir a Deus aqui neste mundo.
Muitos dão tanta importância aos dons de milagres pensando que para Deus isso é o mais importante.

Para Deus um milagre é a coisa mais simples que Ele pode fazer, e os Seus milagres não são feitos só por fazer, mas apenas se tratando de um único objectivo que é de conquistar o coração do homem. Para Deus a alma do homem está acima de tudo.

Muitos passam o tempo procurando ver ou fazer um milagre, como se isso fosse da maior importância para provarem o poder de Deus ou conseguir mostrar aos outros que Deus está com eles.

Se pensassem e estudassem melhor a palavra de Deus perceberiam que isso está errado.

No tempo de Jesus haviam muitos assim, mas Jesus teve de dizer-lhes que não veriam nenhum milagre a não ser o sinal do profeta Jonas (Mateus 12:39-41).

Jesus referia-se à Sua morte e ressurreição.

Se repararmos bem em todo o V.T. a maioria dos profetas não realizaram um só milagre, e tomara os que procuram fazer milagres serem 10% do que eles foram.

João Batista por exemplo, considerado pelo Senhor Jesus como o maior dos profetas, e como sabemos não realizou qualquer milagre, mas teve o grande privilégio de anunciar a chegada do Messias e de o baptizar, como recompensa acabou preso e decapitado por Herodes.

Muitas vezes é isto que acontece, os grandes servos de Deus são aqueles que humanamente parece não terem feito nada importante e acabam sendo mártires, coisa que ninguém procura, antes se procura ser muito importante e fazer coisas que atraiam a atenção dos outros para si mesmos.

Certa vez Jesus disse para os discípulos que eles fariam obras maiores que Ele fez. (João 14:12)

Falando de milagres algum dos apóstolos fez maiores milagres que Jesus?
É claro que não! Ninguém transformou água em vinho, nem ressuscitou um morto de 4 dias, nem curou cegos de nascença…

Quando Jesus falou de obras maiores, Ele referia-se a que há coisas mais importantes que fazer milagres, e a maior obra como sabemos, é levar almas a se converterem a Cristo, porque Jesus também disse que quando um pecador se arrepende e converte há grande festa no céu.

Nunca foi dito que há grande festa no céu por um milagre, mas sim por uma alma que é salva, e isso é o que é importante.

Um dia os discípulos voltaram eufóricos por terem feito maravilhas e prodígios, mas Jesus os advertiu que deviam estar alegres, antes por seus nomes estarem escritos no céu. Mais importante que milagres é a salvação.

Quando dizemos que os dons sinais que são os de realizar milagres e curas cessaram, não significa que Deus não seja Soberano e não possa fazer o que lhe apraz quando e como quiser.

O que se pretende dizer é que nesta época da graça não faz parte do programa de Deus realizar milagres para confirmar a Sua palavra, como foi nos dias de Jesus e da igreja primitiva.

Nesse tempo a revelação de Deus ainda não estava completa, muito menos havia a palavra escrita a não ser o V.T. nesse tempo havia necessidade que a palavra dos homens fosse confirmada por Deus, e isso acontecia por meio de milagres e prodígios.

Nós hoje devemos crer somente pela fé na palavra, sem necessitar ver para crer. Por isso é que Paulo disse que “andamos por fé e não por vista”. (II Cor. 5:7)

Estava-se na fase em que os milagres estavam a diminuir e Paulo chama a atenção para se dar maior importância à fé.

DONS DO ESPÍRITO (o que são?)

São capacidades espirituais concedidas pelo Espírito Santo aos crentes, para ministérios específicos ou particulares. (I Cor. 12:7-11) “Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil. 8  Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; 9  E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; 10  E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. 11  Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.”

DOM DO ESPÍRITO

No singular refere-se à dádiva do próprio Espírito Santo a todos os crentes, como prometido e enviado por Jesus a este mundo depois de ter ascendido ao céu.
I Coríntios 12:7-11 apresenta-nos a primeira lista de dons dados à igreja primitiva. São 9 os dons e podem ser divididos em 3 categorias.

1 – Poder de saber sobrenaturalmente: “A palavra da sabedoria, (v.8) a palavra da ciência, (v.8) dom de discernir os espíritos” (v.10).

2 – Poder para agir sobrenaturalmente: “fé, milagres e curas” (vs. 9,10)

3 – Poder para falar sobrenaturalmente: “ profecia, línguas, interpretação” (v. 10)
São 3 as listas (nomenclaturas) no N.T. sobre dons do Espírito.

Primeira lista por ordem cronológica

I Coríntios 12:8-10, dons individuais. v. 28: dons dados à igreja (colectivos)
(esta carta foi escrita entre o ano 55,56)

Segunda lista

Romanos 12:6-8 “De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; 7  Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; 8  Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.”

(esta carta foi escrita depois das duas à igreja de Corinto, pelo ano 56)

Terceira lista

Efésios 4:11  “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores,”

(esta carta foi escrita no ano 60)

Não é estranho que só na carta escrita há mais tempo (I Coríntios) Paulo se refira aos dons de línguas, curas, milagres, sabedoria, ciência e discernimento?
Nada está ao acaso na palavra de Deus, com o decorrer do estudo iremos ver os porquês e razões de tudo isto.

OS DONS DE I CORINTIOS 12:8-10 EM PORMENOR

1 – Palavra da sabedoria: poder sobrenatural de falar com discernimento divino, seja na resolução de problemas difíceis, quer na defesa da fé, resolução de conflitos, debater com autoridades… como p.ex. Estêvão que manifestou tal sabedoria diante dos seus adversários que não lhe podiam resistir. Jesus disse aos discípulos que eles haveriam de ser perseguidos e presos e levados perante presidentes e governadores, mas que não ficassem ansiosos acerca do que responderiam porque na mesma hora, o Espírito falaria por eles.

2 – Palavra da ciência:  poder de comunicar informações reveladas por Deus, em que como exemplo temos Paulo que disse: “eis aqui vos digo um mistério” (I Cor. 15:51) ou, “vos declaramos por palavra do Senhor” (I Ts 4:15)

Ciência é revelar o encoberto. Na ciência humana é também esta a sua função; fazer conhecido o que estava oculto.

Estes dons deixaram de ser necessários, pois a fé cristã foi entregue de uma vez por todas, como diz Judas 3. Ou seja, o corpo doutrinário cristão está completo.

3 – Dom da Fé:

Devemos  ter em atenção que a palavra fé na Bíblia pode ter um significado diferente de uma passagem para outra.

Algumas vezes se refere à doutrina (Jd. 3, II Tm. 4:7), na maioria dos casos refere-se ao crer de confiar, neste caso trata-se do dom da fé que é a capacidade sobrenatural de remover montanhas e dificuldades na busca pela vontade de Deus.

O dom da fé deve distinguir-se da fé que salva. A fé que salva foi dada a todos. O dom da fé é um dom especial, só dado a quem Deus escolheu para realizar missões e ministérios especiais de elevada importância.
p. ex. certamente os grandes pioneiros do evangelho e dos grandes avivamentos evangelisticos que semearam a palavra em lugares difíceis e sob grande perseguição, Deus lhes concedeu uma fé fora do comum.
Embora em Efésios 2:8 diga que a fé que salva é dom de Deus, é por estar em oposição às obras, para que compreendamos que a salvação é uma dádiva somente pela graça de Deus e não como recompensa de nada que fizemos.

Por outro lado, os dons são dados aos que já estão salvos, para os capacitar a servir na Igreja corpo de Cristo.

Aqui em I Cor. 12:9 a palavra usada para fé significa uma dotação especial do poder do Espírito Santo, diferente da fé comum a todos os crentes. Todos possuem fé, mas alguns receberam o dom da fé, uma qualidade de fé especial que capacita essas pessoas a realizar coisas que o crente comum não será capaz de efectuar.

4 – Dom de curas:

Os dons de curas, milagres e línguas são os mais discutidos hoje em dia por fazerem parte dos que são considerados por muitos, como já tendo cessado.

Outra coisa digna de nota acerca dos dons de curas, é o de as pessoas que eram possuidoras deste dom, eram especialmente os evangelistas para deste modo atraírem as pessoas ao evangelho. (Actos 8:6,7/28:8,9)

Não devemos entender que os que possuíam o dom de curas, curassem todas as pessoas, muitas vezes isso não aconteceu.
Acima de tudo está a Soberania de Deus e até a condição espiritual do enfermo. Com o próprio Senhor Jesus, aconteceu não realizar milagres devido à incredulidade do povo. (Mateus 13:58)

5 – Operação de milagres:

No original o significado literal é; “obras de poder”

Inclui expulsão de demónios, ressurreição de mortos, transformação da matéria, etc.

O apóstolo Paulo foi um dos que mais e maiores milagres realizou.

Não lemos que outros apóstolos tenham realizado seja em número ou grandeza, milagres como Paulo realizou.
Era necessário que assim fosse, pois o apóstolo Paulo era visto com muita desconfiança por todos, tanto fora como dentro da igreja, por isso Deus lhe concedeu fazer coisas como ninguém mais fez.

Alguns dizem que nos nossos dias Deus não opera milagres porque a nossa fé é fraca, e que se a nossa fé fosse maior imediatamente as manifestações sobrenaturais aumentariam. Isto não é verdade e é uma falsa desculpa, porque o agir e o poder de Deus não fica, nem poderia ficar limitado ao grau da nossa fé.

1 – Estudando atentamente a palavra de Deus facilmente chegamos à conclusão que os dons não são dados ou retirados na base da medida da nossa fé.

Se fosse assim em relação aos dons de realizar milagres, então também teria de ser em relação aos outros dons, dos quais já ninguém diz que não existem por causa da falta de fé.

Concluímos é que não se trata de incredulidade, mas da vontade de Deus.

p.ex. o apóstolo Paulo foi dos que mais poder demonstrou ter em realizar milagres, mas vemos que a partir  de certa altura deixou de possuir esses poderes, não conseguindo curar Timóteo nem Trófimo (I Tm. 5:23 / IITm. 4:20) nem a ele mesmo do seu espinho na carne (II Cor. 12:7-9).

2 – olhando para o VT, nós vemos que em certos momentos houveram épocas de grandes manifestações de milagres, enquanto noutras épocas nada disso aconteceu.

Ao estudar esses tempos de milagres nós percebemos que isso acontecia por razões fáceis de entender.

p.ex. Quando Deus chamou Israel do Egipto para os levar para a Terra Prometida, vemos que Deus por meio de Seus servos fez sinais extraordinários, isto para provar a origem sobrenatural da Sua Aliança com seu povo.

A partir de que Israel entrou na Terra de Canãa e venceu todos os seus inimigos e se consolidou como nação, durante séculos os milagres cessaram, só aparecendo de novo nos ministérios de Elias e Eliseu, sendo de notar que foi num tempo de infidelidade do povo e não de avivamento.
Só séculos depois com a vinda do Senhor Jesus os milagres voltaram a aparecer, e à semelhança do tempo de Moisés, os milagres feitos pelo Senhor Jesus e pelos apóstolos no período da igreja primitiva, acompanharam a instauração da Nova Aliança e foram essenciais para convencer os judeus que estavam atados à Lei de Moisés, e sem uma evidência exterior da verdade não acreditariam nesta nova mensagem.

Lemos os evangelhos e os Actos dos apóstolos e vemos inúmeros relatos de milagres. O mesmo já não se pode dizer ao lermos as epístolas. Se alguma coisa lemos e a relatar o que se fizer no passado.

O que lemos algumas vezes nas epístolas é avisando-nos que no fim dos tempos os milagres voltarão a aparecer em grande número, porém, não realizados pelos crentes, mas por Satanás e seus servos. (Mt. 24:24/ II Ts. 2:9,10/Ap. 13:13,14)

6 – Dom de profecia:

No seu significado original, o profeta era aquele que falava segundo revelação directa de Deus.
Algumas vezes o profeta predizia o futuro, mas na maioria das vezes apenas se limitavam a falar o que Deus lhes revelava fosse sobre o que quer que fosse; ensino, exortação, aviso, correcção, etc.

Segundo Efésios 2:20 foram os apóstolos e os profetas que lançaram o fundamento da Igreja. O fundamento é Cristo, mas os apóstolos e profetas lançaram os alicerces ensinando acerca de Cristo.

Uma vez lançado o alicerce, deixou de serem necessários os profetas. Nós hoje temos a revelação completa e devemos rejeitar todo e qualquer suposto profeta que surja afirmando que recebeu revelações extra da parte de Deus. (sejam os que surgem no mundo ou dentro das igrejas)

Mesmo no tempo da Igreja primitiva, a respeito de profetas, os crentes estavam instruídos a que a mensagem do profeta fosse analisada e provada (I Cor. 14:29).

Esta ordem para que a mensagem dos profetas fosse julgada (provada), deve-se à possibilidade de ser o espírito do homem a falar e não o Espírito de Deus, ou de o homem confundir a sua mensagem com a de Deus.

Os Tessalonicenses foram tão rigorosos nisto, que Paulo teve de os alertar para o perigo de extinguirem o Espírito. ( I Tss. 5:19-21)

A nossa ÚNICA regra de fé e de revelação hoje, deve ser apenas a palavra de Deus.
A igreja católica serve-se das ditas aparições de Maria para dar sustento a novas revelações ou segredos.

Outras religiões usam outros métodos, com a ordenação de profetas ou videntes que afirmam falar com Deus e receber revelações suas. Outros dizem que falam com Jesus.

De quando em vez aparecem pessoas que até escrevem livros e ganham sua vida com histórias de que tem conversas com Jesus.

Devemos considerar tudo isto falso, mesmo aqueles que se digam evangélicos.

Deus já revelou o que tinha para revelar, e isso está na Bíblia. Devemos recusar tudo que fale de novas revelações, aceitando só o que está escrito na palavra de Deus.

7 – Discernimento de espíritos:

Este dom dava capacidade ao seu possuidor para determinar se aquele que profetizava, estava falando pelo poder do Espírito Santo, ou era um falso profeta ao serviço de Satanás.

Havia o risco de surgirem falsos profetas, por isso existiam os que tinham o dom de discernir os espíritos. Neste tempo em que não havia a palavra escrita era muito importante que os falsos ensinos fossem cortados pela raiz.

O apóstolo João para prevenir os crentes de serem enganados por falsos profetas, deu-lhes algumas instruções para reconhecerem esses mesmos falsos profetas pela sua doutrina errónea. (I João 4:1-6)

O Senhor Jesus também falou de falsos profetas, instruindo e dizendo que eles se reconhecem pelos seus frutos. (Mateus 7:15-22)

Um dos exemplos mais claros deste dom encontra-se em Actos 5 no episódio entre Pedro e Ananias e Safira.

8 – Dom de línguas

Acerca deste dom existe tanta atracção por parte de alguns, que se chega por vezes ao ridículo.

Dá-se tanta importância a este dom como se ele seja o dom mais importante, que depois chega-se a deturpar as Escrituras e a dizer coisas de uma tremenda ignorância.

As pessoas deviam saber que esse tipo de dom de línguas de que se fala, existe não só dentro do cristianismo evangélico, como no espiritismo, budismo, entre religiões indígenas, no catolicismo carismático, e até no islamismo. Por isso devia se visto com muitas reservas.
Os exemplos bíblicos do dom de línguas, era a capacidade de falar idiomas de outros povos ou nações.

Foi assim na primeira vez no dia de Pentecostes em Actos 2:4 “e começaram a falar noutras línguas,” como em todos os outros caso descritos em Actos.

Naquele tempo já existia a chamada “Diáspora”. Esta palavra quer dizer que havia muitos judeus espalhados por muitas nações e que ali nasceram, e que vinham a Israel fazer a sua peregrinação como ordenava a lei de Moisés.

Para que fosse possível pregar-lhes o evangelho, Deus concedeu aos crentes falar as suas línguas nativas. (Actos 2:5-8)
Se a Bíblia fala do dom de línguas como sendo idiomas, porque é que hoje ninguém fala línguas idiomas, mas apenas se diz que são línguas incompreensíveis aos homens?

Há missionários aos milhares espalhados pelos mais diversos pontos do mundo e aquilo que acontece quando vão para lá, é terem de aprender a língua daquela terra. Não há dom para eles que tanto precisavam?

Se alguém insistisse em dizer que tinha dom de línguas idioma, era fácil comprovar se era verdade ou não. Por isso ninguém se atreve a fazer essa afirmação, sendo mais fácil dizer que se trata de sílabas sem sentido que ninguém percebe, mas que Deus entende.

Claro que nada nasce do nada, e os adeptos das línguas encontraram uma passagem bíblica para se fundamentarem.

Essa passagem é I Cor. 13:1 “AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos… “

Só que esta passagem não está a fazer uma afirmação, mas a colocar a possibilidade de uma impossibilidade. Por isso esta passagem não é válida para se concluir que existe o dom de línguas dos anjos.

É muito estranho que o dom de línguas tenha alcançado esta importância, se na lista dos dons de I Cor. 12, começa por citar os mais importantes que estão associados com o intelecto, terminando com os que estão ligados às emoções, entre eles o dom de línguas.

Isto deve ter que ver com ser o dom mais fácil de falsificar, e a forma de chamar a atenção sobre si mesmos mais facilmente.

Isto não é novo. Na igreja de Corinto isto já aconteceu. Eles inverteram a ordem de importância dos dons, a ponto do apóstolo Paulo ter de os corrigir, dizendo-lhes que as línguas se não fossem compreendidas por quem os ouvia, não teriam utilidade nenhuma, e que deveriam dar maior valor ao dom de profetizar, e não como estavam a fazer. (I Cor. 14:1-6)

Alguns afirmam que o dom de línguas é sinal do baptismo do Espírito Santo. Isto é outro mito, porque nem todos falam em línguas, mas a Bíblia diz que TODOS são baptizados com o Espírito Santo. (I Cor. 12:10,30 e 13)

A passagem usada para defender este ponto de vista é Actos 10:44-46 em que em casa de Cornélio alguns receberam o Espírito Santo e logo começaram a falar línguas, mas este acontecimento não prova que quem recebe o Espírito Santo deva falar línguas, porque como já vimos, nem todos falam línguas, mas todos recebem o Espírito Santo.

O DOM DE LÍNGUAS NO CAPITULO 14 DE CORINTIOS

I Cor. 14:1-10
Os que hoje defendem dons de línguas dizem que neste capítulo língua estranha ou desconhecida significa ser uma língua inexistente entre os homens.
Segundo o contexto não é correcto tirar essa conclusão. Lendo com atenção toda a passagem sem isolar 2 ou 3 verso do contexto, compreendemos facilmente que Paulo está a falar de idiomas, além de que no original grego é disso que fala.
No vs. 5 e 6 Paulo fala de que não há proveito nas línguas se não existir interpretação. Quando Paulo fala de intérprete isso significa que essa língua se pode traduzir, logo, é uma língua humana.

Paulo diz mesmo que não existe valor algum em falar uma língua se isso não traz edificação para a igreja, pois o Espírito Santo não usa nada nem ninguém sem que haja um propósito.

Nos vs. 22 e 23 o verdadeiro dom de línguas era um dom sinal para os incrédulos.

Os defensores do dom de línguas hoje dizem exactamente o contrário disto. Eles dizem que quando alguém fala línguas isso é uma evidência para a igreja de que essa pessoa recebeu o baptismo do Espírito.
(como se sabe a evidencia do Espírito em nós não é falar em línguas, mas o fruto do Espírito, como se lê em Gálatas 5:22,23)

O dom de língua tinha por função evangelizar os perdidos e como sempre lemos, de forma ordenada e organizada.

O que acontece hoje onde se promove o dom de línguas, é todos falarem ao mesmo tempo, fazendo grande alarido em que ninguém consegue ouvir nem entender nada de nada.

Portanto, isto não se encontra de modo algum de acordo com o que lemos aqui em I Coríntios 14.
Por ser isto que já acontecia na igreja em Corinto, o apóstolo ordena para que só falassem 2 ou 3, cada um por sua vez. Depois acrescenta que se no caso não existir intérprete, então ficassem calados.

As evidências hoje mostram que não se obedece ao que Paulo ordenou e se faz totalmente o contrário.

Vs. 33-37
Paulo começa no v. 26 a dizer como deveria ser dirigido o culto na igreja, o que nem de perto nem de longe os Coríntios estavam a fazer.

Paulo diz que em vez da gritaria e confusão com que eles faziam o culto, deveriam tornar o culto verdadeiramente espiritual, dando-lhes para isso os parâmetros e regras correctas.

Para alguns para um culto ser espiritual tem de haver alarido, confusão e desordem. Paulo vem desmentir isso claramente aqui aos Coríntios. (por isso nós não devemos sentir qualquer constrangimento quando nos acusam de sermos muito ordenados ou formais e pouco extrovertidos, porque estamos na linha correctamente bíblica)

Devido á desordem Paulo começa a dizer como se deveria repartir e dirigir o culto.
Trazer Salmo. (como os salmos eram cânticos é possível que Paulo também se queira referir ao cantar, ou então se refere genericamente à leitura das Escrituras)
Doutrina, Revelação, Língua com interpretação e apenas por 2-3 pessoas. Profecia. Os profetas tinham também seu lugar, limitado também a 2-3, sob julgamento dos outros profetas.

Paulo fala do que pode ser feito e o que não deve ser feito no culto.

Paulo coloca algumas restrições dizendo que só devia haver lugar a línguas, havendo intérprete, e profecia no máximo por 3 profetas.

De seguida diz que Deus é Deus de paz e não de confusão, pois era o que se estava a passar naquela igreja.

Por fim dá ordens para que as mulheres se mantivessem caladas. Isto por duas razões: Por ser errado diante de Deus e certamente por serem elas a principal causa de toda aquela confusão ao intervirem directamente no culto.

Mulheres caladas.

Alguns procuram interpretar esta passagem dizendo que Paulo exibe aqui um machismo exagerado ou autoridade pessoal, o que ele contraria no v. 37, dizendo que são mandamentos do Senhor. Ou então, dizem que esta ordem só foi dada devido a ali as mulheres estarem a passar os limites, que por isso o mandamento era específico para aquela igreja e não para a igreja no geral.

Só quem não entende o que lê ou não quer entender, pode concluir isso.

Primeiro Paulo diz que estas instruções provêm da lei e são mandamentos do Senhor (vs 34,37).

Existe uma outra coisa que passa despercebida, devido à pontuação e divisão defeituosa dos versos 33 e 34. Como se sabe, originalmente as cartas não tinham capítulos nem versículos, nem pontuação que surgiu apenas séculos mais tarde.

Seguindo a lógica e sentido do texto o verso 33 não terminaria deste modo, parecendo estar falando sobre a omnipresença de Deus na igreja o que é óbvio, mas a ideia que se deve retirar é de que o apóstolo fala de como se deve qualificar a prática na igreja.
Assim, a forma de ler e dividir os versos seria assim: “Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz. Como em todas as igrejas dos santos, as vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei.”

A PALAVRA “IGREJAS” USADA 2 VEZES VEM CONFIRMAR A LIGAÇÃO E CONFIRMAR QUE A ORDEM DIZ RESPEITO À IGREJA NO GERAL E NÃO A CORINTO EM PARTICULAR.

Para que não fosse usada um estratagema para contornar esta ordem fazendo perguntas publicamente, Paulo corta o mal pela raiz dizendo que isso também estava vedado.

No entanto para os adversários deste ensino ele aparece noutras cartas para que não restem dúvidas quanto às palavras de Paulo.

LINGUA DOS ANJOS

Não sendo possível o dom de idiomas, alguns resolveram contornar e dizer que o que falam são línguas angelicais.

Isto não tem a menor base bíblica nem sequer  alguma lógica usar esse argumento.

1 – a base usada para o uso deste argumento, é fazer uma má interpretação de I Cor. 13:1, ou fazerem suposições de outros versos.

Paulo diz: “ainda que eu falasse a língua dos anjos…” Paulo coloca uma possibilidade improvável e não uma afirmação de que esse dom exista, ele mesmo nas restrições que coloca aos Coríntios dá isso a entender.

Outra coisa que podemos tirar daqui é o de que se alguém poderia ter esse dom e falar línguas de anjos, principalmente seria Paulo. No entanto ele mesmo diz: “ainda que eu falasse…” Ou seja, ele confirma que não falava tais línguas, como pois podemos aceitar que alguém fale?

2 – A Bíblia fala da presença de anjos neste mundo que falaram com algumas pessoas. Que língua falaram esses anjos? Sempre falaram no idioma das pessoas com quem falaram para que fossem entendidos.

Conclusão: A dita língua dos anjos é uma invenção dos homens, não fazendo parte da realidade Bíblica.

LÍNGUAS ESTRANHAS

O QUE SÃO LÍNGUAS ESTRANHAS? No conceito Bíblico língua estranha é uma língua desconhecida ou estrangeira, um idioma.

Porém, quando os que dizem falar línguas hoje, eles dizem serem línguas estranhas, mas no sentido de serem completamente desconhecidas.

Estes tipos de línguas não estão minimamente de acordo com o dom Bíblico, por isso não podem ser consideradas manifestações do Espírito Santo, até porque são um fenómeno existente entre religiões não cristãs e outras de cariz pagão e ocultista.

Tem sido observado não só entre meios pentecostais e carismáticos, tanto evangélicos como católicos, como entre pagãos, feiticeiros, Esquimós, religiões afro-brasileiras místicas, espiritismo, etc.

Explicações:

Fenómeno psico/físico – Artificial (falsificado) – Satânico.

Muitos na ânsia e na busca de o conseguirem, por serem mais sugestionáveis e emocionais, entram numa espécie de transe, perdendo o controle cerebral da parte que controla o falar, começando a falar coisas desconexas.

Outros não o conseguindo, eles próprios o falsificam numa falsa demonstração de unção espiritual repetem frases decoradas, para assim não se sentirem em inferioridade diante dos outros que o fazem naturalmente.

Nos casos entre os pagãos e religiões falsas, trata-se de influência demoníaca.

Nesta área das línguas a maioria encontra-se entre mulheres. Era assim já em Corinto e ainda hoje, pois como se sabe as mulheres tem uma personalidade mais emocional e sujeita ao histerismo.

A ORDEM DOS DONS DE I CORINTIOS 12:27-31

1º - Apóstolos (missionários)

Eram os enviados por Deus a irem aos povos e fundar novas igrejas.

Apóstolo significa “enviado”. A função do apóstolo como a de profeta inicialmente foi a de fundar igrejas e dar os fundamentos da doutrina. (Ef. 2:20) Tanto a doutrina como a revelação está completa, por isso o apóstolo e profeta neste aspecto e perspectiva deixou de fazer sentido.

Hoje o apóstolo é cada crente, pois todos são chamados a ir e anunciar o evangelho.

De há pouco tempo para cá tornou-se moda em algumas denominações seguir o que fez a igreja católica e ter um líder a quem chamam de apóstolo. Esses chamados “apóstolos” são quem dá ordens e directrizes sobre doutrina, a quem todos têm de obedecer. Isto não é bíblico, mas um sinal claro de que o fim se aproxima.

2º - Profetas

Os que falavam em lugar de Deus. Antigamente os profetas possuíam a capacidade dada por Deus, para revelar a vontade de Deus e as coisas futuras. Muito embora na maioria dos casos os profetas apenas falavam da parte do Senhor, exortando e advertindo o povo a se arrependerem dos seus pecados e a seguirem os mandamentos do Senhor.

Hoje em dia o profeta deve ser visto como aquele que fala a palavra de Deus já revelada no passado, e que o faz com fidelidade e sabedoria vinda de Deus.

Não para fazer novas revelações ou prever o futuro, mas baseado no que está escrito.

Apesar da Bíblia falar claro de que nada mais Deus tem a dizer ao homens que não já tenha dito, os religiosos e as pessoas no geral tem inclinação de querer ir mais além e tentar inventar algo mais.
A razão porque as pessoas acabam por acreditar seja em astrólogos, em bruxos, videntes, ou os chamados profetas, é dizem eles: porque o que se disse aconteceu.

Para nós os que cremos na palavra de Deus como única regra de fé, o facto de alguém dizer o que quer que seja e isso acontecer, nunca devia ser razão para aceitarmos isso como correcto ou verdadeiro.

Sabemos muito bem que as falsas religiões sobrevivem à custa desse tipo de coisas, como profecias e milagres e lendas muito bonitas, mas não é por isso que passam a ser verdade.

Para nós, acima de tudo que aconteça ou pareça acontecer até com forte evidência, está a palavra de Deus, e devemos rejeitar tudo que não venha unicamente baseado na palavra de Deus.

3º - Doutores/Ensinadores

Estes são aqueles que tem que tem a função de aprofundar seus conhecimentos e ensinar os outros para que conheçam a verdade e se firmem nela.

4º - Milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.

Por último aparecem em conjunto vários dons, certamente não é acaso as línguas estarem no último lugar.
O que nós vemos hoje é o mesmo que acontecia em Corinto, a inversão desta ordem.
Aquilo que aparece em último lugar está sendo colocado em primeiro lugar, tomando a primazia em muitos locais. Porque será que isto sucede?

Isto sucede principalmente porque o espírito do homem é inclinado a procurar o que é mais vistoso e dá protagonismo facilmente, e também dá aparência de espiritualidade e que satisfaz a carne e o ego.

Por isso é que Deus nos exorta a termos cuidado com o nosso coração e as nossas emoções.
Se olharmos atentamente para esta ordem apresentada pelo apóstolo, é fácil de compreender que esta é a lógica das coisas.

Tudo tem de começar pela pregação do evangelho, convidando as pessoas a se converterem.

Depois é preciso o ensino da doutrina, para que as pessoas saibam e conheçam em que crêem para que a sua fé fique bem firme, e que nada possa abalar essa fé.

Por fim, o restante necessário. Tudo que se constrói tem de começar pela base, para ficar bem seguro. Nada se constrói começando pelo tecto.

AS 3 LISTAS DE DONS VISTAS EM DETALHE.

Nas 3 listas de dons apresentadas no NT, nós encontramos 19 dons diferentes. Não podemos dizer que pretendam ser completas, mas sim, uma amostra dos dons existentes dentro da Igreja.

Dentre esses 19 dons podemos dividi-los em 3 grupos.

1 – Dons Fundamentais. 2 – Dons Sinais. 3 – Dons Permanentes.

No grupo dos dons fundamentais temos os de Apóstolo e Profeta. São considerados fundamentais porque tiveram o seu tempo e foram usados para colocar o fundamento da Igreja, sendo o fundamento o Senhor Jesus.          (Ef. 2:20/3:5)

Estes 2 dons tiveram um papel determinante e especifico no início da Igreja, pelo motivo de não haver a palavra escrita. Devido a isso foi necessário Deus falar a homens específicos dentro da Sua Igreja, para por meio deles dar a ensinar a Sua aos crentes, até que a revelação das Escrituras se completa-se.

Hoje não se está mais lançando o fundamento, por isso não necessitamos deste ministério no sentido original de que as Escrituras falam acerca destes ministérios.

A palavra “apóstolo” significa enviado, mensageiro ou agente. Neste sentido todo o crente é um apóstolo, mas o NT usa esta palavra em sentido restrito referindo-se aquele pequeno grupo de homens que o Senhor mesmo chamou e escolheu para colocar o fundamento da Igreja.

O apóstolo da Igreja primitiva estava investido de poder e autoridade para ordenar e determinar em assuntos que mais ninguém poderia fazê-lo a não ser o apóstolo.
p.ex. Pedro (At. 10:48) quando em casa de Cornélio, o Espírito Santo operou sobre os gentios, sendo isto um caso excepcional, Pedro sem precisar de consultar alguém ordenou que fossem baptizados. O apóstolo era alguém que estava acima dos demais.

Paulo várias vezes usou de seu estatuto de apóstolo para fazer valer sua autoridade sobre as igrejas, mesmo em sua ausência. (I Cor. 5:3) João desautorizou Diotrefes. (III 1:10)

Profetas

Pensando em profetas, pensamos logo em alguém que prediz o futuro, mas o papel de profeta engloba mais que isso.

O profeta recebia mensagens directamente de Deus, que transmitia ao povo. Essas mensagens poderiam ser revelações sobre o futuro, como também exortações ou ensino.

No passado por a revelação de Deus ainda não estar completa, era necessário haver profetas que da parte de Deus comunicavam com o povo. Eram eles a boca e a voz de Deus. Depois que a revelação ficou completa, tornou-se desnecessário Deus fazer uso destes instrumentos.

Por isso quando alguém se apresenta como sendo profeta segundo este sentido primitivo do termo está usurpando o que não é seu, usando um titulo que é desapropriado.

Quando muito o profeta de hoje é aquele que anuncia o evangelho, mas baseado naquilo que lê nas Escrituras e que o Espírito Santo lhe mostra debaixo do que está já revelado.

Conclusão: este 2 dons foram fundamentais e indispensáveis para fundar a Igreja e até que a revelação de Deus se completasse, não tendo razão para existirem hoje.

DONS SINAIS

O grupo dos dons sinais é o maior dos 3 grupos, sendo composto dos dons que mais cativam e chamam a atenção ou a admiração das pessoas, não admira por isso que ainda hoje sejam os que mais atraem pessoas a muito lugares, pois que muitos erroneamente e intencionalmente usam esse tipo de mensagem para atrair as pessoas e as manterem atrás de si.

Para entendermos a finalidade e propósito dos dons sinais, precisamos olhar para o uso da palavra “sinal” no Novo Testamento.

Esta palavra aparece 77 vezes no NT, na maioria das vezes nos evangelhos.

Os evangelhos dizem que Jesus realizou muitos sinais e milagres, mas relata uma pequena parte deles. (João 20:30)

O primeiro dos sinais realizados por Jesus foi em Canã da Galileia, transformando água em vinho. (João 2:11)

Nicodemos quando procurou Jesus de noite para falar com Ele, refere a importância dos sinais que realizava dizendo que eram a prova de que Deus era com Ele. (João 3:2)

Até mesmo os que odiavam Jesus, como os sacerdotes e fariseus, aquilo que eles mais temiam, era o facto de Jesus realizar sinais que eles não podiam desmentir. (João 11:47,48)

Em João 20:31 diz que os sinais que Jesus fazia, era para que todos reconhecessem e acreditassem que Jesus era o Messias.

Os sinais feitos pelos discípulos

Depois da ressurreição, Jesus enviou os seus discípulos a pregar por todo o mundo, prometendo dar-lhes poder para fazer sinais, como prova da veracidade da sua mensagem. (Marcos 16:15-18)

Todos os sinais que eram realizados pelos apóstolos, deixavam todos convencidos de que sem dúvida eram de poder sobrenatural.

Ninguém podia dizer que se tratava de habilidades ou simplesmente superstição, que é o que muitas vezes acontece por aí em muitos sítios em que se diz existirem sinais e milagres, e mesmo assim muitos acreditam que isso acontece mesmo.
Os sinais feitos pelos apóstolos eram inequívocos e irrefutáveis, coisa que muitas vezes não acontece com os sinais que se publicitam hoje em dia.

Os dons sinais eram temporários e cessaram.

Analisando Marcos 16:15-20, lemos que primeiramente Jesus prometeu aos discípulos poder para realizar grandes sinais. Ao fazer essa promessa, como se lê, Jesus falava sobre o futuro. Jesus disse-lhes: “estes sinais se seguirão…”(v.17)

Seguindo para os vs. 19 e 20, temos um comentário acerca desta promessa que é feita pelo Espírito Santo que é quem inspirou Marcos a escrever, e neste comentário o tempo dos verbos mudam para o tempo passado e não para o tempo presente como seria normal e esperado se os dons sinais fossem permanentes.

O verso 20 diz que eles pregaram e o Senhor “ia confirmando a palavra com os sinais que se seguiram…”

Como se sabe, Marcos escreveu o seu evangelho entre o ano 60 e 70. ou seja, 30 a 40 anos depois do que está descrito no verso 17. Então nós vemos nos vs. 19 e 20 o Espírito Santo falando do sucedido num tempo verbal de algo que aconteceram, mas já não aconteciam, pois como se sabe a finalidade dos sinais tinha sido realizado.

Alguns podem achar que isto é irrelevante, mas nós não podemos achar que o que a palavra de Deus diz e a forma como diz, seja coincidência ou acaso, porque cada palavra da Escritura é divinamente inspirada.

Os vs. 19 e 20 tem outra coisa importante. O v. 19 diz assim: “depois de “lhes” ter falado…” No v. 20 diz: “eles” tendo partido…”

Juntando o “lhes” do v. 19 com o “eles” do v. 20, concluímos que se refere às mesmas pessoas. Ou seja, os sinais acompanharam aquela geração de crentes, mas na altura que Marcos escreveu o seu evangelho já não aconteciam ou se operavam.
Quando se estuda a Bíblia e não apenas se lê a Bíblia, compreende realmente o que Deus quer dizer.
Hebreus 2:3,4 é uma das passagens que segue este mesmo princípio e raciocínio.
O escritor falando sobre a salvação diz que ela (a salvação) foi primeiramente anunciada por Jesus, depois confirmada pelos que o ouviram, e que a sua confirmação (da palavra) foi acompanhada pelo testemunho de Deus, por meio de “sinais e maravilhas”.

O v. 4 é muito claro dizendo que Deus testeficou com “eles” por meio de sinais…”

Mais uma vez e usando o tempo verbal no passado e usando o pronome “eles”, esta passagem vem comprovar que estes sinais e maravilhas acompanharam aqueles primeiros pregadores, mas já não faziam parte na mensagem da época em que foi escrita a carta aos Hebreus, 63-65 dC.

Uma de outras provas é a de que durante o tempo de vida e ministério do apóstolo Paulo, o qual realizou mais milagres que todos os outros apóstolos, inclusive ressuscitou um jovem morto, a partir de dada altura foi incapaz de realizar coisas bem mais simples.

Começando por ele próprio que tinha um espinho na carne, algo relacionado provavelmente com um problema de saúde. (II Cor. 12:7-10)

Timóteo um dos seus colaboradores que ele mais estimava sofria de alguns problemas de estômago, e Paulo não pode mais que lhe aconselhar e sugerir que bebesse um pouco de água misturada com vinho. (I Tm. 5:23)

O mesmo aconteceu com Trófimo, outro amado colaborador e companheiro de viagem missionária, adoecendo durante a viagem e por isso não podendo continuar, Paulo seguiu e oi deixou doente em Mileto, nada podendo fazer por ele. Como entender isto? (II Tm. 4:20)

I Cor. 13:8 é outra das passagens que indica que os dons sinais eram temporários.

Alguns só aceitariam que parte dos dons do Espírito já cessaram, se lhes fosse apresentada uma passagem a dizer que esses dons cessaram no dia X do ano Y. Porém isso só se encontra implícito. Existem algumas doutrinas ou preceitos (como p.ex. a doutrina da Trindade) que essas mesmas pessoas aceitam estando elas apenas implícitas na palavra de Deus.

Neste verso o apóstolo Paulo fala sobre 3 dons que cessariam, fazendo-o depois de falar sobre o amor e antes de terminar com as 3 virtudes teológicas; fé, esperança e amor.

As 3 coisas citadas estavam para cessar, sendo elas; profecias, línguas e ciência. (pela omissão de outros dons sinais, fica a ideia que eles já teriam cessado)

É maravilhoso estudar a palavra de Deus começando por interpretar o texto pelo contexto, pois só assim se pode entender correctamente. Muitos retiram conclusões erradas por não seguirem o princípio de não isolar um verso, mas considerar o contexto.

Línguas. Sobre línguas e o seu propósito já falamos o suficiente, por isso não é necessário voltar a falar.

Ciência

Começando pela ciência que o verso diz desaparecerá, devemos entender que esta ciência de que Paulo fala, não é a ciência humana e natural, pois essa tem vindo a se multiplicar e aumentar como dizia Daniel, e não a desaparecer.

Esta ciência refere-se ao dom sobrenatural de conhecer verdades e revelações especiais dadas pelo Espírito Santo.

Profecias

Quanto a profecias, as últimas que encontramos na palavra de Deus é o Apocalipse, que nos falam do que está para acontecer e por vir; fala da Grande Tribulação; do Milénio em que Cristo vai reinar sobre este mundo durante mil anos com paz e justiça; fala dos novos céus e nova terra e da eternidade.

Quanto às revelações e profecias nada mais precisamos saber que o que temos dito na palavra de Deus, mas a terminar o Apocalipse deixa isso bem claro dizendo: “ai dos que acrescentarem ou retirarem ao que está escrito neste livro…” sobre eles cairão as pragas escritas neste livro” (22:18)

Se todos compreendessem isto, não acreditariam em nada que venha depois do Apocalipse, dizendo serem revelações de Deus.
Isto vale para toda a gente. Sejam evangélicos, católicos, muçulmanos, mormons, adventistas, etc.
As profecias bíblicas são suficientes e as únicas que devem ser consideradas como vindas de Deus. O resto são coisas de homens.

Quem se dá a revelações, geralmente são pessoas ligadas ao ocultismo e espiritismo. No meio evangélico há alguns que afirmam ter revelações que dizem ser do Espírito Santo. Eles falam que o Espírito Santo lhes revelou isto e aquilo… Será verdade que é o Espírito Santo?

Se lhes dizemos que as suas revelações não são do Espírito Santo, porque as revelações cessaram e que a Bíblia é a única e última revelação de Deus, a sua resposta pronta na ponta da língua, é de dizerem que estamos a blasfemar contra o Espírito Santo, para desta forma assustarem-nos e a sua afirmação prevalecer (uma boa técnica para ficarem por cima).

Mas felizmente Paulo diz que estas coisas cessariam, mas explica o porquê nos verso 9 a 13, mas disto eles não querem saber.

v. 9 “Porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos”

v. 10 “Mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado”

Traduzindo em “miúdos”o que nos dizem estes versos podemos traduzir deste modo: “isto que é parcial, incompleto, irá dar lugar ao que é perfeito” (completo).
Ou ainda: “agora conhecemos parcialmente, não o todo mas em parte, conhecemos de modo incompleto”

Quando vier o que é perfeito.

Aqueles que defendem a existência dos dons sinais para hoje, pegam na palavra “perfeito” dizendo que isto se refere à vinda do Senhor, que por isso os dons estarão em vigor até essa altura, mas na verdade não é esse o assunto tratado aqui nesta passagem.

A regra de ouro para se interpretar a Bíblia correctamente deverá ser sempre o de interpretar a passagem pela mesma passagem, só recorrendo a auxílio de outras passagens se isso for necessário, e sendo o assunto relativo à mesma coisa. Ou seja, entender o texto à luz do contexto.
O texto de I Cor. 13 em parte alguma se refere à vinda do Senhor, por isso não tem cabimento dizer que a palavra “perfeito” se refira a Cristo e à Sua vinda.

Analisemos a passagem.

Uma cuidada leitura e estudo da passagem mostra que ela nos fala acerca de “conhecimento”.

Os vs. 9 e 10 diz o seguinte: “agora temos conhecimento incompleto, mas chegará o tempo que teremos conhecimento perfeito, pois quando vier o que é perfeito, o que é em parte (parcial, incompleto) será aniquilado.

Qual seria a lógica de Paulo estar a dizer que estes dons cessariam com a vinda de Cristo? Não seria necessário dize-lo, já que isso era mais que óbvio.

Quando Jesus voltar não vai haver mais necessidade seja de que dons forem. Se Paulo estivesse como alguns dizem, falando da segunda vinda de Jesus, isso não tinha lógica nem seria necessário.

Através dos dons de profecia, das línguas e da ciência, Deus ia dizendo algumas coisas através de diferentes pessoas, mas haveria de chegar o tempo em que Deus falaria de maneira completa através de uma única fonte – a Sua palavra.

Naquele tempo existiam já as Escrituras do VT, mas o NT estava ainda a ser revelado e escrito, por isso só havia conhecimento da verdade de Deus em parte e não completo ou perfeito.

Pelos estudos feitos o NT ficou concluído no final do século primeiro, sendo essa a data limite para a necessidade os dons citados em I Cor. 13:8, mas ao que transparece nos escritos do NT, já teriam cessado antes do NT estar completo.

Paulo falou sobre a vinda do que é perfeito e de seguida fala do que é em parte. Como se sabe, algo perfeito ou completo é o conjunto das partes.

(p. ex. um puzzle, motor, espelho…)
Quando juntamos as partes de algo encontramos o que é perfeito. No caso em causa, a passagem fala de 3 dons que eram partes que viriam a constituir o TODO da revelação do NT, e quando este ficou completo (perfeito), os dons sinais deixaram de ser necessários.
O importante agora são a fé, a esperança e o amor, mas só o amor permanece para sempre, porque até que o Senhor venha, necessitamos da fé, da esperança e do amor para viver a vida cristã, mas quando Ele vier, a fé e a esperança deixam de existir, mas como Deus é amor, o amor nunca passa nem finda.
(II Cor. 5:7 Rm. 8:24,25)

Continuando a ler a passagem de I Cor. 13 encontramos base que confirma que o adjectivo “perfeito” se refere à revelação completa da palavra de Deus e não a outra coisa qualquer.

V. 11 Paulo fala sobre a infância, querendo ilustrar que a infância é temporária, mas que depois da infância vem a maturidade e a idade adulta, em que as coisas de menino devem ser abandonadas.

Com esta ilustração Paulo estava a dizer que a Igreja se encontrava na infância, mas que logo seria adulta e não precisaria daquilo que precisam os bebés.

Procurar voltar aos dons sinais como fazem muitos hoje, é querer andar para trás e voltar a ser meninos.

Há coisas que não se repetem na nossa vida, assim como na vida da Igreja.

Só se é criança e jovem uma vez, vindo a seguir a idade adulta que é o estado definitivo e final.

O Pentecostes e o que aconteceu no princípio da Igreja não se repete, porque isso fazia parte da sua meninice. Hoje, tendo já a revelação completa atingiu o seu estado adulto.

Procurar hoje profecias ou revelações fora da palavra de Deus, é cair no erro de considerar a palavra de Deus como não suficiente ou incompleta, e isso é heresia.

“O” perfeito.

Se depois de tudo isto restarem dúvidas sobre o significado de que é “o perfeito”, o original no grego dá uma importante ajuda.

O que de mais importante temos no verso 8 não é a palavra “perfeito”, mas o artigo definido “o” que está antes.

Na nossa língua temos os artigos definidos ou indefinidos apenas no masculino e no feminino. Em grego como em algumas outras línguas existe o artigo neutro, para se referir não a pessoas mas a coisas, que é o caso desta passagem.

Portanto, sendo este “o” no original um artigo neutro, não poderá estar a referir-se à pessoa do Senhor Jesus, mas a algo impessoal, que como se pode compreender só poderá ser referência à palavra de Deus completa, porque é esse o sinónimo de perfeito: completo ou maduro.

V. 12  “Agora vemos como por espelho…”

Os espelhos no tempo de Paulo eram de bronze polido, que apesar disso não reflectiam uma imagem nítida.

Paulo ao usar esta figura (mais uma) estava a dizer que o conhecimento das coisas espirituais era ainda “turbo” , mas não demoraria e se iria ver como se ver face a face. Ou seja, na perfeição.

Para o crente de hoje, a palavra de Deus é como um espelho mas não igual aos dos dias de Paulo, mas algo que nos dá uma visão nítida e perfeita de Deus e do que é a Sua vontade.

V. 13 “agora” (ou, então). Refere-se ao tempo em que viria o que é perfeito, “permanecem a fé, a esperança e o amor…” O apóstolo Paulo queria com isto dizer que esses dons: profecia, ciência e línguas, não permaneceriam além de quando a palavra de Deus viesse.

Por isso, com a conclusão da revelação completa do NT esses dons cessaram. Não importa o que digam os homens, mas o que diz a palavra de Deus.

Resumo dos vs. 9-13

A Igreja é comparada a um edifício. Como sabemos, quando se constrói uma casa terá de haver um processo de escoramento, mas quando o edifício fica pronto removemos as escoras, porque o edifício deve manter-se de pé por si próprio.

Deus usou todas estas partes – os dons sinais e os fundamentais, para que a Sua Igreja fosse escorada até ficar consolidada (adulta). Logo que isso aconteceu, Deus retirou as escoras, deixando ficar apenas o alicerce que é Cristo e a Sua palavra.

Para o necessário funcionamento e desenvolvimento da igreja que é formada de homens, permanecem alguns dons e ministérios, chamados de permanentes que são o que iremos ver a seguir.

Dons Permanentes.

Depois de falarmos sobre os dons fundamentais e dons sinais, os quais cessaram, vamos passar ao grupo dos dons permanentes. Ou seja, os que foram no inicio, que são hoje e que serão até ao fim.

Estes são os dons mais importantes para nós, porque dizem respeito a nós, são necessários à Igreja e devem ser procurados e utilizados pelos salvos.

Os dons espirituais são indispensáveis para que façamos o trabalho espiritual.

O homem natural pode até ser brilhante a falar e capaz de ensinar muito bem, mas e não o fizer na força e direcção do Espírito, mas na sua própria força da sua carne, poderá até agradar aos homens, mas não agrada a Deus. (Rom. 8:8)

Quando queremos agradar a Deus, devemos fazer as coisas tendo a certeza de que foi Ele quem nos deu seja o desejo, seja a capacidade para o fazer. Temos de estar seguros de que o que fazemos não é motivado pela vaidade do nosso coração ou para atrair para nós a atenção dos homens.

Existe em nós uma forte inclinação para desejar fazer as coisas que são mais vistosas, que nos dão maior importância ou valor…

Por outro lado, se Deus precisa que preguemos um prego ou limpemos o chão da igreja, temos grande dificuldade de disponibilidade e nos escusamos com a falta de tempo ou de jeito…

Achamos que coisas humildes não tem valor ou não são importantes, mas para Deus tudo é importante sendo feito com amor e dedicação, sendo muitas vezes o que para nós é menos importante, considerado por Deus o mais importante.

I Cor. 12:28

Doutores/Ensinadores
Neste verso temos dons das 3 categorias – Fundamentais, Sinais, Permanentes.

Como já falamos das 2 primeiras categorias, resta falar dos dons permanentes.

Comecemos pelo dom de Doutor ou Ensinador.

O NT deixa bem claro que este dom é distinto do de profeta. O profeta recebia sua mensagem de modo directo da parte de Deus, por meio do Espírito Santo, por sonho ou visão, etc. e a transmitia.

O Ensinador recebe a mensagem através da palavra de Deus escrita e a transmite à igreja.

O dom de Profeta fez parte dos dons fundamentais que cessaram. Hoje o ensinador ocupa na igreja o lugar de profeta e ensinador ao mesmo tempo.

Temos uma passagem em segunda de Pedro 2:1 que nos deixa entender isso.

“houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falso doutores”

Pedro nos mostra a semelhança entre as funções do profeta e do ensinador, colocando não ao acaso os profetas usando o verbo  haver no passado, enquanto os ensinadores os colocou no tempo futuro.

Socorros/Auxílios

Embora não seja muito falado, este dom é muito importante no meio da Igreja. Sendo uma aptidão que quase todos podem ter, existem alguns a quem Deus concedeu uma maior capacidade para o fazer.

Só porque vemos que alguns fazem as coisas melhor que nós, isso não serve como desculpa para que não o façamos, muito mais se sentimos que Deus nos chamou para esse ministério.


O dom de ajudar ou socorrer quem precisa de nós, reflecte um espírito de humildade por parte da pessoa que o faz e requer um amor verdadeiro, que mostra que a pessoa está disposta a trabalhar de forma discreta numa área que os homens na sua maioria consideram ser coisas de menor importância.

Há muitos que estarão dispostos a fazer o que quer que seja a favor da igreja e das pessoas, se forem eles a mandar e liderar. Se porém forem outros a mandar, normalmente eles ou ficam parados ou procuram abrir uma igreja ou ir para outra onde possam mandar.

Estão dispostos a se sacrificarem mas só se tiverem o papel principal. Porém, não estão dispostos a ajudar, querem sim, que sejam os outros a ajudá-los.

Quando isto acontece, o mais certo é o seu desejo de servir seja um desejo para alimentar seu ego ou vaidade pessoal e não um desejo produzido pelo Espírito Santo.

Quando se pensa ou se vê as coisas de uma forma em que servimos sem olhar à importância que os homens dão ao que fazemos, mas o fazemos o melhor que podemos, com a principal intenção de agradar a Deus, então nós podemos entender as palavras que Jesus disse em Mateus 19:30.
Jesus disse que muitos dos primeiros serão os derradeiros, e muitos derradeiros serão os primeiros.

Por vezes ao olharem para os que pregam, que cantam muito bem, que tocam ou fazem coisas vistosas na igreja, muitos pensam que esses são os primeiros, quando na verdade em certos casos poderá não ser assim.

Se o que fazemos por muito importante que pareça, não for feito em humildade de espírito e na dependência completa do Senhor, mas confiados na nossa própria capacidade e para nos elevarmos acima dos outros pensando ser importantes, nós passamos a ser os derradeiros.

Por outro lado, se o nosso serviço para o Senhor passa despercebido aos homens, até considerado de valor inferior, mas nós o levamos seriamente e fazemo-lo exclusivamente para honra e glória de Deus, então para Deus o nosso serviço é visto de tal forma, que mesmo que para os homens sejamos últimos, para Deus nós somos dos primeiros.

Governos.

A palavra governos refere-se àquele que dirige. A mesma palavra que aqui foi traduzida por governos só aparece mais duas vezes n NT referindo-se àqueles que dirigem navios, que são pilotos. (Actos 27:11 e Ap. 18:17)

Isto nos ajuda a perceber melhor do que a palavra de Deus diz sobre este dom, que é relativo à capacidade que Deus deu a alguns para guiarem a igreja.

Por vezes as pessoas entendem que para guiar a igreja qualquer um pode faze-lo, ou então se não todos, também não é preciso ser ninguém em especial.

No entanto a palavra de Deus diz que na igreja existem diferentes dons e que devemos procurar descobrir qual ou quais os nossos dons e servirmos segundo o nosso dom.

Muitos acham que são capazes para mandar na igreja, mas aquilo que Deus procura para a igreja não é mandões, mas aquilo que diz Pedro na primeira carta 5:3.
Homens que cuidem do rebanho, não como tendo domínio (mando) sobre a herança de Deus, mas que sirvam de exemplo ao rebanho.

Esta é a qualidade indispensável ao que governa. Os Anciãos e Pastores na igreja não são os que mandam, mas os que guiam, e a melhor maneira de guiar é dando o exemplo.

Romanos 12:7

Ministério.

Nesta passagem de Romanos a forma como o apóstolo fala sobre os dons nos deixa um pouco sem saber como esses dons devem ser usados, pois ele apresenta os dons assim: “se é ministério, seja em ministrar. Se é ensinar, haja dedicação no ensino. O que exorta, use seu dom em exortar”

Apesar desta forma ser pouco clara de como se exercem estes dons, vamos mesmo assim ver alguma coisa sobre o que compete fazer aos possuidores destes dons.

Ministério: esta palavra é uma tradução da palavra grega “diakonia” que significa serviço, e de onde vem a palavra “diácono” que significa servo.

No dicionário grego acerca do significado “diakonia” diz o seguinte: “o serviço daqueles que executam ordens de outros”

O uso da palavra “diakonia” é muito variado no NT, tendo o Senhor Jesus dito isto em Lucas 22:25,26.
“os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que tem autoridade sobre eles são chamados de benfeitores. Mas não será assim entre vós; antes o maior entre vós seja como o menor, e quem governa como quem serve.”

Ou seja, entre o povo de Deus não deveria haver distinção ou classificação de pessoas, mas todos serem considerados iguais em importância.

Embora cada um tenha sua função e posição hierárquica, nem o grande deverá considerar-se maior que o pequeno, nem o pequeno menor que o grande, mas todos se devem considerar servos do mesmo Senhor e por isso iguais.

Em Actos 6:4 a palavra “diakonia” é usada tanto para os que serviam às mesas, como para os que tinham a responsabilidade de ministrar a palavra.

Enquanto um trabalho era secular e de ordem material e o outro espiritual, no entanto, eram considerados os dois como essenciais na igreja. Daí que tanto um como o outro eram considerados igualmente de “ministério”

Concluindo.

Os que tem o dom de ministrar, ou seja, de servir, devem usá-lo com todo o zelo, seja no sentido de servirem pregando a palavra de Deus, quer seja de simplesmente abrir a porta da igreja, arrumar os bancos ou cuidar do asseio e limpeza, etc.

Como disse o Senhor Jesus em Mateus 25:34-40, “aquilo que fizermos aos irmãos, é considerado como feito a Ele mesmo.”

Exortar    Romanos 12:8  (Actos 11:23,24 / 14:21,22 Hb 3:13 Jd. 1:3)

O significado literal da palavra traduzida “exortar” é; falar com alguém.

O NT usa este verbo no sentido de incentivar ou encorajar alguém, por vezes no sentido de confortar ou consolar… não como por vezes se pensa que significa admoestar ou repreender.

Este é um dom muito importante na igreja, especialmente nos dias que correm.
Devido às dificuldades e obstáculos que existem em seguir o Senhor e trabalhar para Ele, os crentes muitas vezes experimentam o desanimo.

Muitas vezes fazemos tudo para que as pessoas venham à igreja, ou que os que já estão na igreja sejam mais assíduos e comprometidos com Deus, mas por vezes não acontece o que esperávamos acontecesse e nós desanimamos e pensamos que não vale a pena tanto empenho.

Nestas horas os que tem o dom de exortar são preciosos. É fundamental que nestes momentos em que alguém está desanimado, que os que tem o dom de exortar venham ter com a pessoa trazendo alento e ânimo, para que o desanimado se levante com novas forças e coragem para continuar.

Vemos então o valor incalculável deste dom. Por vezes alguém que está prestes a desistir e alguém com um simples dom de exortar, evita que isso venha a acontecer. Isto é maravilhoso.

Outras vezes acontece haver problemas entre irmãos na fé. Por sermos crentes nós não somos perfeitos. Falhamos, fracassamos, há mal entendidos, pensamentos de dúvida, e por vezes o amor esfria… somos invadidos pela desilusão e decepção e pela tristeza, que nos rouba a força e o entusiasmo que tínhamos em servir o Senhor.

Noutros casos temos problemas familiares, na escola ou no emprego, ou de saúde, etc. por causa disso sentimo-nos deprimidos e desmotivados.

Então nestes casos é da maior importância aqueles que tem o dom de exortar, que com a sua sabedoria procuram a pessoa dando palavras de estímulo e incentivo.

Então a respeito disto queria só deixar uma chamada de atenção. Se achamos que isto é importante quando somos nós a precisar de ser animados, devemos e temos o dever de o fazer quando vemos que alguém está a precisar de ser encorajado.
Isto não é dever dos líderes mas de todos em geral, particularmente daqueles que receberam o dom de exortar.

Na maioria dos casos as pessoas pensam que exortar é repreender, o que também em parte é verdade, mas o NT nos mostra que principalmente este dom serve para ajudar os nossos irmãos a superar situações difíceis e por vezes a retornar ao bom caminho.
Se temos recebido este dom da parte de Deus, se não sabíamos, por meio deste exemplos espero que tenhamos percebido a importância deste dom, que por vezes pode ser considerado de menor valor.
Repartir.  Romanos 12:8

“O que reparte, faça-o com liberalidade”

Para entendermos correctamente o que é este dom, precisamos entender o que significa a palavra traduzida “repartir”.

Uma outra versão traduz a mesma palavra por “contribui” (o que contribui, faça-o com liberalidade).

Entenderemos ainda melhor o significado desta palavra, vendo o uso onde ela aparece outras vezes.

Lucas 3:11 Ef. 4:28  Romanos 12:13

“quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem” “o que furtava, não furte mais; antes trabalhe… para que tenha que repartir…” “comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade”

Nestes casos fala-se em repartir coisas materiais.

Romanos 1:11 “desejo ver-vos para vos comunicar (repartir) algum dom espiritual”

Tessalonicenses 2:8  “de boa vontade quiséramos comunicar-vos (repartir), não somente o evangelho de Deus, mas ainda as nossas almas”

Nestes casos o apóstolo fala em repartir coisas espirituais.

O dom de comunicar ou repartir, é aquela capacidade de darmos aos outros, quer no sentido material, quer no sentido espiritual, segundo o que recebemos do Senhor.

Se Deus nos tem dado abundância material é nosso dever repartir ou contribuir com liberalidade. Se o que temos recebido do Senhor é espiritual, devemos partilhar o que temos recebido com os outros.

Há outro pormenor acerca deste dom, que é, como o devemos usar.

Podemos ser levados a pensar neste dom no que respeita ao dar materialmente e então pensar assim: “mas eu já contribuo regularmente para aigreja”
Mas de que forma o temos feito?

O verso diz: “com liberalidade”

Liberalidade representa o inverso de ser “forreta” ou avarento, em que contribuímos mas o mínimo dos mínimos, só para nos sentirmos bem com a nossa consciência.

A palavra no original significa também; “com honestidade ou simplicidade”

Ou seja, o que fazemos seja ajudando materialmente ou espiritualmente, devemos faze-lo modestamente visando apenas a glória de Deus e o bem do próximo, nunca visando o nosso próprio engrandecimento, porque isso não agrada a Deus.

Presidir    Rom. 12:8

“o que preside, com cuidado”

Este dom é o mesmo de governos de I Cor. 12, por essa razão não existe necessidade de ser comentado.

Exercitar Misericórdia   Rom. 12:8

“o que exercita misericórdia, com alegria”

Sendo o último da lista não significa que não seja importante.

Este dom poderá ser usado de duas formas.

1 – Aliviando os sofrem ou estão necessitados.
2 – Perdoando os faltosos.

O dicionário descreve misericórdia, como a virtude que leva a compadecer-se da miséria alheia; piedade, compaixão…

Quando se exerce a misericórdia isso envolve circunstancias sempre bastante incómodas ou constrangedoras, que muitas vezes nos levam a ter de enfrentar situações desagradáveis e nos causam dor de alma.

Por vezes exercer a misericórdia envolve pessoas em situação social, material ou de saúde dramáticas, o que nem sempre se faz sem algum constrangimento, por isso o apóstolo diz que a misericórdia deve ser feita com alegria.

Alegria não no sentido que vamos rir ou pular ao ajudar os que sofrem, mas no sentido que o devemos fazer com satisfação e não como quem o faz por obrigação ou forçado.

Podemos também ao aliviar e ajudar alguém, faze-lo com alguma arrogância e espírito sobranceiro humilhando ou ferindo a dignidade dessas pessoas.

Por isso podemos exercitar misericórdia com um espírito errado, daí o apostolo ter acrescentado que misericórdia deve ser exercitada com alegria.

Deus é misericordioso e a sua misericórdia para connosco é feita sempre de uma forma a nos restaurar e erguer, nunca nos rebaixando ou humilhando e nós devemos fazer da mesma forma.

Perdão.
O perdão é também um acto de misericórdia. Somo exortados por Deus a perdoar.
Por vezes ao sermos ofendidos, seja por pequenas ou grandes ofensas, nós não queremos perdoar.

Deus diz-nos na Sua palavra que se Ele nos perdoou sem olhar ao tamanho da nossa ofensa, nós também devemos perdoar a que nos ofendeu.

Por causa do que Deus nos diz ou porque a nossa consciência nos acusa, então nós acabamos por perdoar mas de uma maneira que mais parece ter sido por obrigação e não com alegria. Isso se pode ver ao nós mostrarmos uma atitude de critica e desprezo por quem nos ofendeu.

Dizemos que já perdoamos, mas quando continua a existir esse espírito de critica e constante condenação do ofensor, significa que nós não exercemos a misericórdia, muito menos com alegria.

O perdão sendo um acto de misericórdia, quando feito com alegria, não só é bom para quem perdoamos como o é para quem perdoa. Deus tem sempre razão, pois Ele sabe o que é melhor para o homem.


Evangelistas   Efésios 4:11

Muito embora cada crente deva ser um evangelista, Deus deu a alguns uma capacidade especial para fazer este trabalho.

O evangelista para além do crente comum, é alguém que exerce o seu dom indo ao mundo onde quer que Deus o chame ou mande ir.

No livro de Actos nós temos um excelente exemplo do que foi e é, um verdadeiro evangelista.

Em Actos nós temos um grande evangelista muito pouco lembrado, mas que fez um trabalho evangelistico extraordinário, que se chamava Filipe.

Este Filipe pertencia à igreja em Jerusalém, aquela igreja onde estavam os apóstolos e que nasceu do Pentecostes.

Filipe fazia parte dos 7 diáconos que foram eleitos para servir às mesas na igreja. (Actos 6:5/21:8)

Com a perseguição feita por Saulo (mais tarde apóstolo Paulo) à igreja após a morte de Estêvão, Filipe como muitos outros crentes tiveram de fugir de Jerusalém.

No cap. 8:5 encontramos Filipe em Samaria pregando Cristo, levando muitos a crerem e a receberem a Cristo (8:12).

Depois disto, o anjo do Senhor falou a Filipe mandando-a a Gaza (8:26) para falar a um só homem, o eunuco etíope que viajava de regresso de Jerusalém de adorar a Deus no Templo, a quem Filipe explicou Isaías 53 falando-lhe acerca de Cristo e este se converteu.

Certamente que este homem chegando à Etiópia falou de Cristo aos seus conterrâneos e alguns se devem ter convertido também, razão porque a África era cristã até ao século XI em que o Islão pela força obrigaram as pessoas a aceitar a doutrina de Maomé.

Depois da conversão do eunuco, o Espírito arrebatou Filipe colocando-o em Azoto. Filipe ia andando e pregando em todas as cidades até Cesareia, fazendo discípulos. (Actos 8:40)

Este é o melhor exemplo do que é um evangelista. É alguém que não está preso a um lugar mas que está disponível para ir pelas aldeias e cidades levando o evangelho, quer falando às multidões, ou a uma só pessoa, sempre lançando a semente fazendo com que igrejas se levantem.

Pastores.   Efésios 4:11

O pastor é por assim dizer, aquele que dá continuação ao trabalho do evangelista.

O evangelista leva as boas novas fazendo com que almas se rendam a Cristo. Então, torna-se necessário cuidar e pastorear essas ovelhas.

O verdadeiro pastor deve imitar Aquele que é o Sumo Pastor que é Jesus.
O pastor deve amar e alimentar as ovelhas que Cristo lhe entregou à sua responsabilidade, procurando o seu bem-estar, dando-se a si mesmo para beneficio das ovelhas, não para se aproveitar delas mas para as servir.

Em Zacarias 11:16 nós vemos aquilo que não deve ser um pastor. Aquilo que o verdadeiro pastor deve fazer com suas ovelhas para além das pastorear, é visitar e procurar as que estão morrendo, as desgarradas, curar a que está  ferida e alimentar a sã.

Estas são as qualidades que o verdadeiro pastor deverá possuir.

Cuidar das que estão perecendo: aquelas ovelhas que caíram no laço do inimigo ficando presas ao pecado, ou foram arrastados para situações encontrando-se a vaguear sem noção do que lhes sucedeu e dos perigos que estão correndo. O pastor nunca deve abandoná-las, procurando sempre que escapem do lugar da morte e se juntem ao rebanho.

Buscar a desgarrada: aquelas que devido a terem sido enganadas por falsos ensinos se afastaram do rebanho e por isso devem ser procuradas e esclarecidas para que voltem.

Curar as que foram feridas: aquelas que espiritualmente estão doentes. O pastor deve procurar saber o motivo e origem da doença, aplicar o remédio apropriado para que seja restaurada a saúde dessas ovelhas.

Apascentar as sãs: apesar de sãs, estas também ser bem cuidadas, dando-lhes alimento adequado. O pastor não deve relaxar ou pensar que lá porque suas ovelhas estão de boa saúde qualquer coisa serve, ou que elas sabem cuidar bem de si próprias, pois se ele fizer assim, as ovelhas irão  comer algo impróprio ficando enfraquecidas e doentes.

Conclusão

Conforme estudamos, os dons espirituais foram dados para a Igreja, primeiramente para a fundar e ajudar a crescer e tornar-se adulta, vindo depois a palavra de Deus escrita para a edificar e ensinar conforme a verdade da Sua vontade.

Deus manteve e manterá até ao arrebatamento da Igreja os dons permanentes, pois eles são necessários ao desenvolvimento e aperfeiçoamento dos crentes.

Não esqueçamos que Deus tem dado dons a todos, por isso nós devemos ser zelosos em os utilizar, porque os nossos dons não serão apenas benéficos para os outros como também para nós próprios.

Fazendo assim, estamos a permitir que os propósitos de Deus se cumpram em nós.
De contrário, um dia Deus nos pedirá contas daquilo que nos entregou e do uso que disso fizemos.

A responsabilidade é grande e não há desculpa ou pretexto para dizermos que não podemos fazer nada devido às circunstancias, porque Deus antes de nos dar o dom, ou, os dons, já sabia de todas as circunstancias que  haviam de surgir.
Por isso Deus nos deu o dom apropriado para o usarmos nessas circunstancias.

De nada nos adianta argumentarmos com a nossa vida, com as dificuldades e preocupações, obrigações e a falta de tempo, etc. etc. porque se não estamos usando o dom que Deus nos deu, estamos a falhar diante de Deus e da Igreja.

Que Deus nos abençoe e ajude a cumprir o Seu propósito como membros da Sua Igreja, porque haverá grande recompensa para aqueles que forem fieis colocando ao Seu serviço os dons que Ele nos deu.


Carlos A. Oliveira
Maio de 2012
 

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Tu guardarás para sempre os que são teus, Senhor, fora do alcance da influência desta geração má.

Salmos 12:7
 

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