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É IMPERATIVO MUDAR PRIORIDADES PDF Imprimir e-mail

Gosto de tecnologia porque me ajuda no meu trabalho, no contacto com as pessoas. Facilita o meu acesso a muitas informações, ideias, recursos que de outra forma não teria à mão facilmente.

Recentemente, com a “febre tableótica” a invadir a sociedade portuguesa em crise, alguém me perguntou se eu gostaria de comprar um tablet. A expectativa de quem me questionou era, muito provavelmente, “sim!”... mas a resposta foi outra: “Não! Eu não preciso de um iPad.”
 
A verdade é que eu gosto de usar os melhores recursos, mas preciso saber que há uma grande diferença entre desejo e necessidade, querer e precisar. Talvez daqui a uns tempos tenha que trocar de computador, porque é a minha principal ferramenta de trabalho, mas não preciso de um tablet, por isso não vou investir só porque é moda e “toda a gente tem” (ou quer ter).

Atenção, isto não é um manifesto anti-tablets, mas é um alerta para todos nós, a começar por mim, para a maneira como estamos a usar os recursos que Deus nos dá – tempo, dedicação, dinheiro, paixão – num tempo muito especial em que somos chamados a mostrar o fruto da operação de Deus nas nossas vidas, mais do que nunca.

Tenho aprendido ao longo da vida que as coisas podem ser para nós uma ferramenta ou nós podemos tornar-nos ferramentas delas. Não “descobri a pólvora”, mas Jesus ensinou-nos a todos a pedir o pão de cada dia, a entender que Ele cuida de nós em todas as circunstâncias, naquilo que é essencial para vivermos. Paulo advertiu Timóteo para o perfil daqueles que servem a Deus nas suas igrejas locais e, numa dessas descrições de qualidades, ele diz que “não deve ser interesseiro” (1 Timóteo 3:3b, versão “A Bíblia para Todos”). Quando o “ter” se torna mais importante do que o “ser”, revelamos quem é o nosso soberano: Deus ou as riquezas.

Nos dias que correm, e perante circunstâncias de dificuldade económica e social de alguns dos meus irmãos e irmãs em Cristo acho, pessoalmente, imoral investir em coisas não essenciais e dizer ao irmão desempregado, à irmã que perdeu o abono de família, à família que não consegue pôr um prato de sopa na mesa todos os dias “Já viste o meu novo gadjet?” sem providenciar alguma ajuda a quem precisa e está diante dos meus olhos, pertence à mesma comunidade que eu. Se sou capaz de dar um pacote de massa para o Banco Alimentar dar a alguém que eu não vejo, como posso ficar indiferente à necessidade do meu irmão que eu vejo? Isto tem-me feito pensar e mudar o meu modo de gerir as minhas finanças.

Tiago explicou muito bem, preto no branco, “Que importa, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se a não põe em prática? Será que essa fé lhe trará a salvação? Imaginem que algum irmão ou irmã, não tem nada que vestir e lhe falta o necessário para comer, cada dia. Poderão dizer-lhes: «Vão em paz! Hão de encontrar com que se aquecer e matar a fome!» Mas se não lhes dão aquilo de que eles precisam, de que valem essas boas palavras? Do mesmo modo, a fé, se não é posta em prática, está morta.” (Tiago 2:14 a 17, versão “A Bíblia para Todos”)

Esta ideia está presente em toda a Bíblia – a começar pelas próprias leis do Antigo Testamento e a terminar com a teoria e prática da Igreja nascente. É imoral pensar apenas em mim, em estar no mainstream da tecnologia, e passar-me ao lado a dor dos meus irmãos.

É verdade que Deus nos abençoa, mas também é verdade que somos abençoados para sermos uma bênção. Acima de tudo, entendo que este é o tempo em que Deus nos desafia a sermos generoso uns com os outros, mostrando ao mundo que nos amamos na prática.

Se afirmamos tantas vezes que a igreja são as pessoas, porque é que tantas vezes as coisas (as nossas, principalmente) se sobrepõem às pessoas? É certo que a ação social é um tema muito vasto e que a ajuda ao próximo não pode ser feita de forma simplista, nem alimentar um sistema de parasitismo social... mas isso não é desculpa para nos fecharmos no nosso “pede, pede” ao Senhor quando Ele nos está a dizer “dá, dá”.

Os tablets, os plasmas, as casas, as piscinas, os carros de grande cilindrada... tudo fica cá. As pessoas, pelo contrário, são um valor eterno. Jesus morreu por elas. Sejamos bons mordomos daquilo que Deus nos dá e aprendamos a usar de generosidade responsável e equilibrada, para que a nossa fé não seja morta nas nossas metas passageiras, mas viva e eficaz, na confiança de que Deus cuida de nós e nós devemos cuidar uns dos outros.

Paulo disse, na sua prisão “Não digo isto por precisar de alguma coisa, pois aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na pobreza e também na abundância. Aprendi a viver em toda e qualquer situação: a ter fartura e a ter fome, a ter em abundância e a não ter o suficiente. Posso enfrentar todas as dificuldades naquele que me fortalece. Contudo, fizeram bem em compartilhar as minhas dificuldades.” (Filipenses 4:11-14, versão “A Bíblia para Todos”)

Sim, Deus supre, mas quer usar-te a ti. Estás disponível?

Ana Ramalho
 
© 2007 Igreja Evangélica em Algeriz