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MARTA E MARIA PDF Imprimir e-mail

Lucas 10:38-42
Em primeiro lugar  começo por dizer que esta passagem deveria ser uma das que deveriam estar sempre presentes em nossa mente, pelas razões que iremos ver e por muitas mais.

Uma coisa que está muito em moda nos tempos que correm é o evangelho chamado de social em que muitos se agarram à passagem que antecede esta e que começa no v.30 que como sabem, é a parábola do bom Samaritano.

Não são poucos os que presentemente ensinam que a prioridade do ser humano são as suas necessidades físicas e materiais.

Esta passagem imediatamente contradiz aquilo que porventura poderia ser interpretado erradamente da parábola do bom Samaritano, ficando completamente claro que aquilo que de mais importante  existe em matéria de necessidade para o homem são as coisas de natureza espiritual

A primeira lição que podemos retirar deste texto é o de termos aqui retratados dois tipos de crentes.

Sendo sinceros teremos de admitir que cada vez mais existem crentes como Marta e que são cada vez menos os que se assemelham com Maria.

Apesar de sabermos que aquilo que Jesus mais aprecia é a nossa adoração antes de tudo, nós primamos por nos afadigarmos com muitas outras coisas.

Porém, podemos ver e retirar deste acontecimento outras lições.

Uma delas é que apesar de crentes é natural existirem diferenças entre nós em questão de comportamento, devido a temperamentos, tipo de carácter e personalidade, e será errado censurar outros crentes só porque não são da forma que nós gostaríamos.

O importante é que cada um se examine diante de Deus pedindo-lhe que Ele lhe conceda a graça de fazer aquilo que mais lhe agrada.

Mas vejamos que mais podemos aprender com estas duas irmãs.

Os erros de Marta.

Marta era uma mulher cheia de qualidades. Trabalhadora, e como lemos, uma crente zelosamente hospitaleira, que o fazia com enorme competência.

No entanto seu perfil traçado por Jesus é negativo. Apesar das suas enormes qualidades humanas que possuía, faltava-lhe uma virtude essencial, que era de as saber aplicar em harmonia na sua vida em geral, especialmente de harmonia com a vida espiritual.

Tudo tem seu tempo e Marta permitiu que seu excessivo zelo pelas coisas temporais a impedisse de ter tempo para as suas necessidades da alma.

Ponto 1- Marta era muito trabalhadora (contra isso nada, só temos a dar-lhe os parabéns), o mal estava na hora escolhida.  Seu erro não consistiu em trabalhar, mas em fazê-lo na hora errada.
Possivelmente Marta estava tão ocupada naquela hora, que lhe faltou sabedoria para planear.

Talvez até saberia da vinda de Jesus e tivesse andado na vizinhança dando conhecimento, ou fazendo coisas desnecessárias, não sendo capaz de planear e organizar-se atempadamente, deixando tudo que teria a fazer para a última hora.

É isto que muitas vezes sucede connosco ou com muitos.

Por vezes queixamo-nos pela falta de tempo para a igreja e as coisas espirituais, quando afinal isso sucede por falta de uma organização adequada da nossa vida.

Segundo aquilo que vemos e vamos ouvindo, isto está sucedendo cada vez mais entre os crentes, tendo até atingido os mais jovens que estudam.

Os jovens hoje estudam muito na hora dos cultos na sua igreja. Não é errado estudar, é muito bom que o façam, mas o que vem sucedendo muitas vezes, é que eles utilizam o seu tempo para tudo.

Depois, seu tempo falta e é sempre muito mais fácil arranjar esse tempo, tirando-o ao que pertencia ao Senhor.

Certo estudante daqueles que deixava os trabalhos da escola para a última, tendo um trabalho para apresentar, necessitou passar toda a noite em claro para o fazer à pressa.

Reconhecendo que o seu trabalho não tinha a qualidade que devia por ter sido feito a correr, no dia seguinte entregou seu trabalho ao professor com um bilhetinho pedindo que o professor leva-se em conta que seu trabalho tinha sido terminado já de madrugada.

Este aluno recebeu a seguinte resposta do professor: “cada um trabalha na hora que mais gosta.”

Marta fez assim. Jesus estava de visita e logo se iria embora e Marta acabaria sem beneficiar nada com a presença de Jesus.

Quantas vezes não teremos perdido os enormes benefícios da presença de Jesus devido à nossa demasiada ocupação com outras coisas ou porque as deixamos para o momento em que deveríamos estar sentados aos pés de Jesus?

Ponto 2 – Marta trabalhava, porque afinal alguém tem de trabalhar, poderão dizer alguns.

Isto é uma verdade. Mas segundo o próprio Jesus, Marta trabalhava mais do que o necessário.

Marta deixava que o trabalho a consumisse.

Sua ansiedade incontrolada pelo trabalho impedia-a de equilibrar a sua vida entre trabalho e tempo para estar em comunhão com Jesus.  Ela ainda não aprendera que existe tempo para tudo.

Este desequilíbrio de excessivo cuidado pelas coisas desta vida constitui uma armadilha para a nossa alma.

Ponto 3 – O erro de Marta poderá ser o erro de muitos de nós, levando-nos à destruição da nossa espiritualidade.

Muitos neste mundo acabarão sendo lançados no inferno, não por aqueles pecados notados aos olhos de toda a gente, mas na sua maioria, por aquelas coisas lícitas com que andaram inquietos e ocupados a vida toda, sem nunca terem tempo para Deus.

O que tem impedido de te colocares aos pés de Jesus e ouvir Suas palavras, confessares-lhE teus pecados pedindo o Seu perdão e entregares a tua vida a Ele?

Serão porventura coisas que valem mais que a salvação da tua alma?

O mundo poderá dar-te riqueza, fama ou poder, mas só Jesus te poderá dar a boa e melhor parte – a salvação da tua alma.

Qual irá ser a tua escolha?
Uma coisa só é necessária. (v.42)

Noutras versões nós lemos:
“entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.”

Jesus quis dizer a Marta que da quantidade de coisas que a preocupavam, bastavam apenas algumas. Depois reduz tudo isso a uma só que é a mais importante.

Marta talvez deseja-se oferecer a Jesus um grande jantar com diversos pratos e sobremesas, quando afinal bastava o necessário apenas.

E que para além de tudo que se possa oferecer a Jesus, o mais importante que lhe possamos dar é a nossa adoração.
Essa foi a escolha que fez Maria e que foi elogiada por Jesus.

Para a nossa realização pessoal poderemos dizer com verdade que muitas coisas nos são necessárias. P.ex. saúde, emprego, prosperidade, bens, dinheiro, posição social…

Não poderemos dizer que elas sejam imprescindíveis, pois milhões de pessoas neste mundo vivem felizes sem elas.

Porém, para a salvação de uma alma uma única coisa é necessária e imprescindível – escolher Jesus.

Estar na companhia de Jesus é tudo quanto é necessário. Em Jesus temos tudo em grande abundância.  - A boa parte. 

Maria era já uma crente salva por Jesus, mesmo assim tinha necessidade de manter esta opção pelo que há de melhor.

A verdadeira porção do crente é o Senhor Jesus. Esta é a única coisa que merece o nome de boa.

É esta a boa parte e a única consistente, verdadeira e duradoura.

Ela é boa na doença ou na saúde. Na juventude ou na velhice. Na adversidade ou na prosperidade. Na vida e até na morte.

Não podemos imaginar nenhuma circunstância em que não seja bom ter Jesus como Salvador.

Todas as outras coisas podem ser tiradas ao homem, mas esta, como diz Jesus, não nos será tirada.

Os reis e presidentes, os ricos e poderosos, um dia perderão tudo isso que possuem. O crente em Jesus por mais pobre que seja, possui uma riqueza e um tesouro que jamais lhe será tirado, mesmo depois da morte ele a levará consigo.

Esta foi a garantia dada a Maria e que vale para todos que fizerem a mesma escolha que ela.

Muitos irão aparecer no dia do juízo dizendo a Jesus que fizeram muitas coisas para Ele, até milagres, mas o seu erro terrível foi não terem escolhido esta boa parte. Por isso serão lançados no inferno.

Não sejas louco como eles; faz como Maria – escolhe Jesus que é a melhor parte.

A escolha de Maria

Uma outra coisa a concluir desta passagem é que nesta casa, Maria era uma figura de segundo plano.

Marta segundo o que nos escreve Lucas era a dona da casa enquanto Maria era a irmã de Marta.
Maria tinha um papel menor, mas ela soube tirar o máximo proveito desta sua posição.

Na igreja alguns poderão sentir-se inferiorizados por serem figuras de segundo plano, mas eles se o desejarem, à semelhança de Maria, poderão ter um maior privilégio.

Enquanto os de primeiro plano servem, eles tem o privilégio de “sentar-se” mais perto de Jesus e ouvirem Suas palavras de uma forma muito melhor.

Marta deve ter ouvido algumas coisas ao correr de lá para cá, mas Maria teve maior privilégio, pois pôde ouvir tudo.

Uma das grandes virtudes de Maria foi saber estabelecer a prioridade mais adequada no momento, e a sua prioridade naquela hora foi para Jesus.

Neste mundo é muito difícil estabelecer prioridades, pois temos tantas coisas que são importantes, como a família, os filhos, os amigos, o emprego, os negócios, o lazer e divertimento… E a nossa alma? 

Será que ela faz parte das nossas prioridades? E em que lugar ela se encontra?

Está como a principal, ou entre outras, ou nem sequer é considerada como tal?

Será que já aprendemos como Maria a fazer a escolha certa?

Dá tua prioridade a Jesus.  Jovem se estudas, procura fazê-lo o melhor que puderes. Pais e mães deveis cuidar da vossa família com todo o zelo. Os que trabalham ou negoceiam, tereis de fazê-lo com empenho e zelo, mas nunca permitam que essas coisas vos impeçam de estarem com Jesus.
Maria entendeu que a vida não era feita apenas de coisas materiais.

Ao sentar-se aos pés de Jesus, Maria entendeu esta verdade que seu povo ouvira desde o tempo da peregrinação no deserto, que nem só de pão vive o homem, mas principalmente de toda a palavra que vem da boca de Deus.

As coisas materiais deste mundo são necessárias ao homem, mas mais importante que isso deve ser para nós a palavra de Deus.

Todos nos queixamos de termos vidas demasiadamente agitadas que nos roubam o tempo para estarmos aos pés de Jesus, mas a verdade nua e crua é esta; não existe outra forma de ouvir os Seus ensinamentos e a Sua voz senão a de pararmos e nos aquietarmos aos Seus pés.

Temos vidas muito agitadas? Muitas vezes por culpa nossa. Marta andava muito agitada e preocupada com muitas coisas.

Jesus teve de lhe dizer que tudo isso era inútil, porque afinal só uma coisa era importante e essa foi o que Maria escolheu.
Deve ter sido duro para Marta ouvir isto.

Talvez seja duro para ti ouvires que toda a tua preocupação e agitação não levam a nada a não ser a uma vida de queixume e amargura, como sucedia com Marta.

Não deixemos que as coisas desta vida nos escravizem. Sejam elas quais forem.

O apóstolo Paulo dizia aos Coríntios: “todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas”

È isto que temos a fazer, e como Maria fez dispensarmos nossa principal atenção para Jesus. 
Não como Marta que foi dominada pelo excesso de trabalho, o que a levou a perder uma das maiores oportunidades da sua vida.

Outros aspectos poderíamos tirar desta passagem, mas gostaria de salientar a existência de darmos maior importância ao escutarmos a palavra de Deus, que às nossas ocupações, mesmo quando esse trabalho possa ser considerado para Deus.

Muito existem que a pretexto de estarem ocupados com a obra de Deus nem sequer tem tempo para o escutar Deus e isso é muito mau.

Depois de todos estes pensamentos, o meu desejo è que todos nós a partir de agora possamos reflectir melhor sobre a quem temos sido mais semelhantes, se a Marta, se a Maria.

Se temos sido mais parecidos com Marta, que o Senhor nos ajude a reverter a situação, escolhendo a melhor parte como fez Maria.

Que Deus abençoe todos. Amén

Carlos A. Oliveira
Março 2005

 
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